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Inter tem histórico de equívocos dentro e fora de campo

Ao longo de pouco mais de dez anos, time passou de campeão do mundo a espectador do principal rival

Ao longo de pouco mais de dez anos, time passou de Campeão do Mundo a espectador do principal rival
Ao longo de pouco mais de dez anos, time passou de Campeão do Mundo a espectador do principal rival Foto : Guilherme Testa
Daquele Inter que foi ao Japão e venceu o melhor time do mundo, que chegou a 100 mil sócios, que amealhou títulos e recebeu a alcunha de “Campeão de Tudo” e que foi invejado por ter uma administração moderna, o atual só tem a cor da camisa e a história. Todo o resto daquele poderio econômico e futebolístico foi desmanchado por uma série de equívocos administrativos e uma disputa política fratricida.

O que dói nos colorados é que os papéis se inverteram. O Grêmio, que passou 15 anos sem títulos de expressão justamente na fase de ouro do rival, subiu na mesma proporção que o Inter caiu. Por isso, ninguém se surpreendeu quando os dirigentes e jogadores colorados admitiram o favoritismo do Grêmio na sequência de Gre-Nais do Campeonato Gaúcho – que acabou se comprovando com duas vitórias em três clássicos.

A queda do Inter como instituição chegou ao auge no rebaixamento para a Série B, que se consumou em dezembro de 2016, mas foi construída antes daquele empate em 1 a 1 contra o Fluminense, no estádio Giulite Coutinho. O rebaixamento começou a se desenhar em dezembro de 2010, quando o Inter, então campeão da América, viajou para os Emirados Árabes para disputar pela segunda vez o Mundial de Clubes da Fifa.

Na mesma época, máquinas, à revelia dos planos de Giovanni Luigi, que acabara de ser eleito presidente para 2011 e 2012, foram acionadas para demolir as arquibancadas do Beira-Rio.

A obra foi paralisada nas primeiras semanas da gestão de Luigi. O buraco e a terra exposta, porém, permaneceram como uma cicatriz e um prenúncio de uma guerra política que colocou frente à frente os defensores da reforma do estádio com a parceria de uma grande construtora e aqueles que defendiam que a obra, que custaria quase R$ 400 milhões, deveria ser feita com recursos próprios.

De um lado, estavam Luigi, Marcelo Medeiros, Luis Anápio Gomes e Maximiliano Carlomagno. De outro, Vitorio Piffero, Pedro Affatato e Emídio Marques Ferreira. O primeiro grupo acabou prevalecendo e a reforma foi feita pela Andrade Gutierrez.

Atualmente, quase ninguém tem dúvida de que o Inter estaria quebrado e com o estádio inconcluso, provavelmente até hoje, se a proposta defendida por Piffero tivesse sido vitoriosa na disputa que houve, voto a voto, no Conselho Deliberativo.

A discussão entre os dois grupos aumentou a fenda política. Na eleição seguinte, em dezembro de 2013, Luigi venceu Pedro Affatato e ganhou mais dois anos de gestão. Foi tempo suficiente para concluir o Beira-Rio e receber cinco jogos da Copa de 2014. Apesar de manter a hegemonia no Rio Grande do Sul e de conquistar a Recopa de 2011, os resultados em campo começaram a rarear.

Sem o Beira-Rio, o Inter fez uma campanha ruim no Brasileirão de 2013. No ano seguinte, com Abel Braga, o clube ficou em terceiro no Brasileirão. No entanto, a torcida, acostumada às vitórias, votou em massa em Vitorio Piffero na eleição de dezembro de 2015.

O ex-presidente retornou ao cargo com o slogan “O campeão voltou”, mas fez uma gestão ruim em quase todos os aspectos – teve as contas reprovadas pelo Conselho Deliberativo e está sendo investigado pelo Ministério Público, que suspeita de fraude na administração.

Piffero e seus pares assumiram o Inter com 100 mil sócios, com o time na Libertadores e um grupo bastante qualificado, com jogadores como Aránguiz, Nilmar e D’Alessandro. Abel gostaria de ficar para tentar sua segunda Libertadores pelo Inter, mas foi relegado por Piffero, que também descartou Mano Menezes na época. O time, sob o comando de Diego Aguirre, parou na semifinal da Libertadores diante do Tigres, do México.

Uma semana após a desclassificação, com Aguirre demitido e Odair Hellmann de interino, o Inter sofreu 5 a 0 em um Gre-Nal na Arena. Era o prenúncio da queda para segunda divisão, no ano seguinte, e do fundo do poço.