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Inter tem problemas para reformar o Beira-Rio

Time enfrenta dois grandes obstáculos: falta de recursos e não isenção de impostos

Inter tem problemas para reformar o Beira-Rio
Inter tem problemas para reformar o Beira-Rio Foto : Divulgação/CP
Há mais de um ano, Vitorio Piffero concedia entrevistas garantindo que as obras de cobertura do Beira-Rio iniciariam em breve. "Vai ser uma festa", previa. O plano era inaugurar uma parte do novo estádio em 4 de abril do ano passado, quando o Inter completou 100 anos.

Pois tudo não passou de sonho. Apesar de o clube estar trabalhando em algumas ações de infraestrutura, o grosso da reforma não tem data para começar. O pior é que, por ordem da Fifa, o prazo para início do processo é março. E dificilmente será cumprido.

O Inter encontra dois grandes obstáculos. O primeiro é a falta de recursos. A venda dos Eucaliptos, que pode render aproximadamente R$ 20 milhões, valor que seria fundamental para o pontapé inicial nas obras, esbarra numa série de pendências com a Justiça.

Apesar do esforço dos advogados, ele continua penhorado para pagamento de dívidas fiscais. Além disso, há um processo de usucapião envolvendo a área. "Pode demorar um, dois ou oito meses. Não há como prever", lamenta o vice-presidente jurídico do Inter, Luis Dagoberto Paganella.

Além disso, o Inter quer concretizada a prometida isenção de impostos para a compra dos materiais de construção. Se fosse implementada, a medida reduziria o orçamento, previsto para R$ 130 milhões, em aproximadamente 30%.

Mas a isenção depende de uma resolução do Conselho Nacional de Polícia Fazendária, que se reuniu mais uma vez ontem, em Brasília, e não deliberou sobre o assunto. "Estamos frustrados, pois os torcedores estão nos cobrando o início das obras", lamentou o vice-presidente de patrimônio, Emídio Marques Ferreira.

Apesar de não conceder a isenção nos impostos, o governo federal ofereceu uma linha de crédito especial, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que pode aportar até 130 milhões no Beira-Rio. No entanto, o Inter não concorda com a política de juros da instituição e promete não usar os recursos. "Não temos interesse algum nesse dinheiro. Não vamos endividar o clube", avalia Emídio.

Segundo a Fifa, o Beira-Rio deve estar pronto para a Copa de 2014 no dia 31 de dezembro de 2012, ou seja, mais de um ano antes do jogo inaugural. O projeto inclui, além da cobertura, o aumento das arquibancadas inferiores, cobrindo a "coreia", e importantes reformas no setor de imprensa e vestiários.

O 1º-vice-presidente Pedro Affatato é um pouco mais otimista que o colega Emídio. "Existem várias ações concretas concluídas, mas que não podem ser vistas. As obras do Beira-Rio já iniciaram", afirma. As previsões de Affatato falam em início da construção das fundações da cobertura em 30 dias. "Já temos todo o projeto pronto. Também já sabemos de que tipo de material será feito o revestimento do estádio. O mais difícil era isso. A obra é mais fácil", argumenta o dirigente.

A ideia é tocar a construção sem interditar todo o estádio, principalmente em jogos da Libertadores da América. O processo será implementado em etapas - ou módulos, como preferem os dirigentes colorados. "Vamos fechar uma parte e fazer a obra. Quando estiver pronto, vamos para outra. Não podemos correr o risco de ter o estádio interditado pela Conmebol", lembra Affatato.

Um exemplo do atraso que envolve a remodelação do Beira-Rio é o museu. A projeção inicial, segundo os dirigentes, era inaugurar o local em novembro de 2008. Ele ainda não está concluído e, segundo a perspectiva atual, ficará pronto para a inauguração em 4 de abril.