O Inter descobriu, nas últimos jogos, que sabe sofrer. E não foi pouco. Diante de Flamengo e Palmeiras, os dois melhores times do Brasileirão, em duas rodadas em sequência pela competição, a equipe levou apenas um gol e conquistou dois pontos importantes em sua luta para escapar das últimas posições na tabela. A questão agora é outra: contra o Remo, o adversário provavelmente não estará interessado em jogar. E aí começa o problema.
A estratégia para enfrentar os grandes funciona. Defende, fecha espaços, reduz os riscos e espera a oportunidade para contra-atacar. Foi assim também diante do Corinthians, na Neo Química Arena, pela Copa do Brasil, na quinta-feira. O próprio técnico Paulo Pezzolano reconheceu a evolução da equipe na preparação para partidas em que o adversário naturalmente assume o protagonismo.
O Remo, no entanto, deve apresentar um roteiro diferente na próxima segunda-feira, no Beira-Rio. Adversário direto na luta contra o rebaixamento, a equipe paraense deve entregar a iniciativa ao Inter. Caberá ao colorado propor o jogo, encontrar espaços e, principalmente, descobrir como transformar posse de bola em oportunidades de gol. Em resumo: a armadura que funcionou tão bem nos últimos compromissos terá que dar lugar a algo que ofereça perigo ao oponente.
Pezzolano terá de remontar a equipe para isso. Nas partidas recentes, o treinador encontrou uma forma de proteger a defesa com Vitinho aberto pela direita, como um ala, enquanto Bruno Gomes assumia uma função próxima à de terceiro zagueiro. Contra o Palmeiras, no empate em 0 a 0 de domingo, Bernabei foi adiantado pelo lado direito, Carbonero ocupou a esquerda e Alan Patrick atuou como uma espécie de falso centroavante.
A estratégia foi suficiente para impedir que o Palmeiras criasse muitas oportunidades. Contra o Remo, dificilmente bastará repetir a fórmula. O problema é que as alternativas ofensivas não são exatamente abundantes. Alerrandro já recebeu oportunidades para se firmar, mas ainda não confirmou as expectativas. Tanto que, diante do Palmeiras, João Bezerra foi a primeira opção para entrar no segundo tempo.
No grupo, além dos dois centroavantes, Pezzolano conta com os jovens Kempes e Allex e com o meia Calebe como opções de características mais ofensivas. “O time aprendeu a sofrer. E, para conquistar coisas importantes e ganhar jogos, tem que saber sofrer. Essa é uma característica desta equipe. Mas também precisamos estar preparados para jogar de outra forma, porque haverá partidas em que teremos a necessidade de buscar a vitória”, afirmou o técnico recentemente.