Após o empate de domingo em Passo Fundo, no qual ficou evidente o nervosismo do time do Inter, o técnico Antônio Carlos Zago disse que ainda vai demorar um pouco para os jogadores superarem o trauma do rebaixamento do ano passado. Pressionados pela necessidade de vencer, os atletas sucumbem aos momentos de dificuldade, e as falhas se repetem. “Eles estão arrasados. Essa situação de buscar a virada e sofrer o empate no final acabou com eles”, relatou Zago.
A cobrança aumentou ainda mais nessa segunda-feira, quando dois postes na entrada do CT Parque Gigante foram pichados com inscrições contra a dupla de zaga, remanescente do rebaixamento. Sem nenhuma vitória no Gauchão, a situação psicológica não é boa, às vésperas de outro confronto decisivo pela Copa do Brasil e com um Gre-Nal daqui a 10 dias.
Zago diz que tem conversado com seus jogadores e “dado carinho” a eles. Segundo o psicólogo do esporte e professor universitário Márcio Gheller Marques, não há outra forma de lidar com o problema. “É uma questão de ver o que sobrou da experiência para os atletas. Alguns podem ver como uma oportunidade de buscar a volta para a Série A e fazer história no Inter. Para outros, pode ser algo negativo que vai aumentar a tensão e a pressão”, analisa o psicólogo.
“O fator emocional contribui. Mas tem que ter um olhar multidisciplinar pra ver quanto do problema é físico, quanto é técnico, quanto é emocional”, acredita Marques, afirmando que os jogadores precisam estar “conectados” entre si. Segundo Carlinhos, o indicado de ontem para a entrevista coletiva, esta união interna já está sendo trabalhada.
“A situação pesa para todos. Nós temos que nos fortalecer. Será um ano muito longo, estamos só no começo e vamos precisar de todos. Todos precisam estar bem e sabendo que têm o respaldo uns dos outros”, afirmou o lateral esquerdo. “O torcedor vem muito triste desde o ano passado. A paciência está um pouco curta, precisa ter um pouco mais”, pediu.
No treino de ontem, os quatro jogadores poupados contra o Passo Fundo trabalharam com os reservas. D’Alessandro, Uendel e Rodrigo Dourado deverão estar em campo amanhã, em jogo único contra o Oeste, pela segunda fase da Copa do Brasil. O lateral-direito Alemão seria mais um reforço, mas ele sofreu uma entrada do zagueiro Léo Ortiz e deixou o campo mais cedo, com dores no tornozelo, e virou dúvida.
A atividade de hoje à tarde deve definir a equipe para o confronto de amanhã, no Beira-Rio. Na quinta-feira, um time todo reserva enfrentará o Criciúma em Santa Catarina, pela Primeira Liga.
Inter usa diálogo para superar trauma e crise
Remanescentes do rebaixamento ganham atenção especial do técnico Zago<br />