A janela fechou e, mesmo que estivesse ainda aberta, o ciclo de contratações do Inter estaria encerrado por falta de dinheiro. Até o final da temporada, daqui a apenas três meses, Mano Menezes trabalhará nas derradeiras rodadas do Campeonato Brasileiro com o grupo atual. O objetivo mais evidente é perseguir uma vaga na próxima edição da Libertadores da América, que é o prêmio consolação que resta aos colorados, mas o final de temporada também será usado para a comissão técnica realizar uma reavaliação do atual elenco, projetando 2023.
O próximo ano tem um significado. Afinal, é o último da gestão de Alessandro Barcellos, que assumiu em janeiro de 2020 com a missão de devolver o Inter ao caminho dos títulos. Após 20 meses, a administração acumula uma série de tropeços no futebol, mantendo o jejum de taças que se impõe desde 2016. Só neste ano, o Inter perdeu o Gauchão para um Grêmio se reestruturando para a disputa da Série B, parou na primeira rodada da Copa do Brasil ao perder para o Globo-RN e, na Copa Sul-Americana, transformou o sonho do título em frustração ao cair diante do Melgar, na semana passada, nos pênaltis.
Os tropeços na Copa do Brasil e no Gauchão motivaram uma virada no perfil dos negócios. Especialmente a partir de abril, a direção assumiu uma postura mais audaciosa e investiu na reforma do grupo, construindo uma base de time completamente renovada para, em primeiro lugar, buscar o título da Sul-Americana, plano que acabou frustrado. A taça ainda não veio − e provavelmente não virá, já que o Palmeiras lidera o Campeonato Brasileiro com ampla vantagem − mas o Inter tem um time para, além de terminar esse ano, começar o próximo.
O próprio Mano Menezes afirmou, em entrevista na semana passada, que a queda da SulAmericana era uma evidência de que o Inter não estava “preparado para ser campeão”. Porém, também disse que o trabalho seguia na direção dos títulos. Ou seja, no final do ano, estaria mais próximo deles do que no início. Essa é a esperança. Nas 16 últimas rodadas do Brasileirão, Mano Menezes não poupará jogadores, mas deve observar peças novas, dando oportunidades para todo o grupo. O objetivo é rascunhar um projeto para um 2023 melhor.
Necessidade de renovação
Quatro dos seis zagueiros que estão à disposição de Mano Menezes neste momento precisam renovar contrato no final do ano, se o Inter quiser continuar contando com eles em 2023. Rodrigo Moledo, Gabriel Mercado, Kaique Rocha e até Roberto têm vínculos com o Inter até o final do Brasileirão. Vitão, que pertence ao Shakhtar Donetsk, possui contrato até o meio do ano e, por fim, o clube apresentou ontem Igor Gomes, de 21 anos, que assinou até dezembro do próximo ano.
O jogador, que nunca jogou profissionalmente no Brasil, mas já esteve no Barcelona B, falou nessa quinta-feira sobre a importância da oportunidade que está recebendo e explicou as suas características. “Joguei bastante tempo na base como lateral, mas chegou uma hora que passei a fazer a função de zagueiro. Me adaptei bem e, agora, não tenho preferência. Acho que tenho essa versatilidade de jogar em ambas posições. O importante é estar apto para ajudar a equipe independente da posição”, disse.