O mundo dá voltas e, em se tratando de futebol, às vezes estas voltas são rápidas. Há poucos meses, o Inter levava um não de Tite e via o técnico campeão da Copa Sul-Americana preterir proposta mais vantajosa dos colorados para acertar sua volta ao Corinthians. Restou ao clube gaúcho então a sétima opção para o comando técnico, Diego Aguirre.
Quando a bola rolou, quem encantava era o Corinthians, enquanto o Inter se mostrava inseguro. Mas o tempo passou, o mundo deu voltas e agora quem navega por águas turbulentas são os paulistas, enquanto os comandados de Aguirre seguem mirando o topo da América e mostrando um bom futebol, antes visto em Itaquera.
Neste sábado, às 16h30min, os dois times estarão frente a frente pela sétima rodada do Brasileirão. Se, ao menos por ora, não estão na briga pela parte de cima da tabela do Brasileirão, o confronto coloca a aposta em Diego Aguirre frente ao consagrado Tite. Os jornalistas Carlos Guimarães e Hiltor Mombach analisam o confronto.
Fator Aguirre
E agora, o Inter vai com moral para encarar o Corinthians. E muito passa pelo seu comandante, na opinião do comentarista da Rádio Guaíba Carlos Guimarães. “O Aguirre tem um trabalho que chama atenção”, destacou. “É um cara moderno, novo e que está fazendo um trabalho ótimo, está afirmado no Brasil.” Pela frente, porém, terá o melhor técnico do Brasil, na opinião de Guimarães: “Não é essa trajetória de cinco meses no Corinthians que vai fazer com o que pense o contrário. Seu método, tudo que fez no Corinthians, o colocam na frente dos outros”.
Para o editor de esportes do Correio do Povo, Hiltor Mombach, Aguirre chega forte para o confronto. “No futebol muitas vezes se desmonta uma tese de um dia para outro. A lógica era de que se o Tite viesse para o Inter daria mais certo que o Aguirre está dando agora. Só que o futebol todo dia confirma e quebra teses”, pontuou.
“Eu aprendi no futebol uma boa equipe se faz com a sequência dos mesmos jogadores. É ali que você desenvolve a parte técnica e tática. O Aguirre está desmentindo isso”, acrescentou o jornalista, exaltando o elenco colorado. “O Inter tem um banco de reservas que jogaria em qualquer time do Brasil.”
Corinthians em reconstrução
A eliminação na Libertadores da América para o modesto Guaraní do Paraguai foi apenas o começo dos problemas na temporada corintiana. Em crise financeira, o clube não conseguiu renovar com Paolo Guerrero e Emerson Sheik e ainda pode perder jogadores importantes como Elias e Ralf. Reforços ainda não chegaram e Tite tenta arrumar o time com o que tem em casa.
Para Carlos Guimarães, o treinador precisa achar uma maneira diferente de montar a equipe em relação ao que fez em 2012, quando conquistou a Libertadores da América e o Mundial de Clubes. “O Tite chegou e adotou métodos da sua última passagem pelo clube. Só que o time mudou, hoje ele tem jogadores mais lentos do meio para frente. Renato Augusto, Danilo e Jadson são mais condutores de bola. Não tem uma peça importantíssima como era o Paulinho. Tentou o Elias, que depois caiu”, analisou.
Apesar dos problemas no Corinthians, Hiltor Mombach não acredita que Tite tenha se arrependido de ter rechaçado a oferta colorada para voltar ao clube paulista. “Conheço bem o Tite. Penso que o que pesou para a escolha foi o pensamento de voltar para o Corinthians e dar a segunda Libertadores para o clube. O Inter ofereceu salário superior. Se quisesse se acomodar, teria vindo para o Inter. A cobrança aqui é grande, mas não é igual ao do Corinthians. Ele pensou em repetir aquelas conquistas, mas o futebol muda muito rápido. Penso que ele ainda vai acabar acertando o time”.
Aguirre afirmado no mercado brasileiro
Além de não ser a primeira opção da direção, Diego Aguirre chegou ao Beira-Rio sob a desconfiança que se tem no Brasil em relação a técnicos estrangeiros. No entanto,
para os comentaristas, o trabalho demonstrado nestes seis meses já o colocam no topo do mercado brasileiro de treinadores.
“O Aguirre é um cara moderno, um cara novo e que está fazendo um trabalho ótimo. Ele já fez o suficiente para se inserir no mercado brasileiro. No momento em que ele sair do Inter, e não deve sair cedo, nem se for eliminado da Liberadores, mas tenho certeza que no momento que isso acontecer, ele sair vai ser contratado e vai treinar mais times brasileiros na vida dele”, avalia Carlos Guimarães.
Para Hiltor, nem uma eventual eliminação na Libertadores poderá abalar a confiança em Aguirre: “Ele já provou qualidade. No Brasil, os treinadores algumas vezes se afirmar e desafirmam com rapidez. O Aguirre é um treinador que se mostrou maduro, que conseguiu montar um Inter que chama atenção até fora do Brasil. Não consigo ver como que o Inter possa desandar. Cair fora da Libertadores é do jogo. Acho que esse time tem muito para dar, penso que possa ir longe do Brasileirão com o Aguirre. Aguirre mostrou que se preparou para assumir um clube brasileiro”.
Inter x Corinthians coloca Aguirre e Tite frente a frente
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