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Inter x Fluminense: bronca com a arbitragem antes da decisão, herói nota 10 e mistério com o artilheiro

33 anos depois relembre como o CP contou o título colorado da Copa do Brasil de 1992

Célio Silva bate o pênalti com força e leva o Inter ao título da Copa do Brasil 1992
Célio Silva bate o pênalti com força e leva o Inter ao título da Copa do Brasil 1992 Foto : Edison Vara / CP Memória

Uma rápida folhada nas amareladas páginas do arquivo do jornal Correio do Povo revelam que o tempo passou, o futebol é outro, a moeda da época era o Cruzeiro e a cobertura esportiva de um grande jogo como Inter e Fluminense desta quarta-feira também não é nem de perto a de 33 anos atrás quando as duas equipes decidiram a Copa do Brasil de 1992. Para os colorados, porém, recordar o começo da noite de 13 de dezembro daquele ano é reviver a glória do quarto título nacional da história do clube.

O contexto da decisão é também um contraste com o dos dias atuais. Nada mais do que Gérson, o artilheiro da competição, era a dúvida e sua escalação ou não deixava certamente a torcida apreensiva. "A expectativa é pequena que ele reúna condições", disse um médico do clube em uma manifestação impensável em tempos de raro acesso às comissões técnicas. Outro detalhe é o jornal levar ao público informações hoje 'escondidas' pelos clubes como altura e peso dos atletas.

Tri campeão brasileiro na década de 1970, o Inter do presidente José Asmuz e do técnico Antônio Lopes só havia perdido um jogo na campanha da quarta edição da Copa do Brasil. Justamente na partida de ida da final para o, até então invicto Fluminense por 2 a 1. O gol de Caíco nas Laranjeiras cominado com uma vitória simples no Beira-Rio dava o título inédito do torneio e a vaga para a Libertadores do ano seguinte.

Antes da partida o técnico colorado criticou a escolha de José Aparecido de Oliveira para apitar o jogo. "Ele ficou muito vedete depois do caso Neto", se referindo à cusparada do jogador do Corinthians e hoje apresentador no árbitro. O fato é que o juiz foi um personagem da decisão relatada pelo jornal como um jogo de domínio gaúcho diante de uma retranca carioca.

Aos 39 minutos do segundo tempo ele apitou pênalti em Pinga, zagueiro colorado. Célio Silva marcou o gol e entrou para a galeria de heróis colorados. Na cotação do CP, o jogador recebeu nota 10. Na mesma edição do dia seguinte à conquista o colunista Wianey Carlet, em um dos tópicos da coluna 'Dois Toques' foi taxativo: "O Fluminense não tem do que se queixar. Dos dois pênaltis que cometeu, somente um foi marcado".

Mais de três décadas depois, o Beira-Rio volta a receber um Inter x Fluminense pela Copa do Brasil. Não é uma final, mas trata-se de um mata-mata certamente a ficar amarelado com passar do tempo sem que perca seu colorido.

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