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Inter x Fluminense: os bastidores de uma derrota imprevista

Resultado diante do Fluminense por 2 a 1 foi precedido por episódios fora de campo, inclusive sobre a vida pessoal dos atletas. Depois, houve restrições à imprensa

Johan Carbonero marcou um gol para o Inter, que ainda assim perdeu para o Fluminense
Johan Carbonero marcou um gol para o Inter, que ainda assim perdeu para o Fluminense Foto : Fabiano do Amaral

A noite de quarta-feira no Beira-Rio teve clima de provocação, arquibancadas bem-humoradas e, no fim, futebol abaixo do esperado, frustração e vaias. Em partida válida pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o Inter perdeu por 2 a 1 para o Fluminense e agora terá que vencer por dois gols de diferença no jogo da volta, no Maracanã, para avançar à próxima fase. O resultado, embora construído ao longo dos 90 minutos, foi antecedido por horas tumultuadas fora de campo, que podem não ter sido preponderantes, mas também contribuíram para o tropeço.

Na véspera do confronto, o jornalista Léo Dias, conhecido pela cobertura de bastidores, mas não exatamente do futebol, divulgou que quatro jogadores do elenco colorado, todos titulares e casados, estariam envolvidos com a mesma mulher. A matéria foi acompanhada de cópias de conversas privadas e rapidamente se espalhou pelas redes sociais, ganhando repercussão nacional imediata.

O clube optou por não comentar oficialmente o episódio. No entanto, fez alusão ao caso nas redes sociais, em tom bem-humorado. Em postagem no X (antigo Twitter), o Inter escreveu: “A semana do amigo acabou, mas V6 já sabem, né!? Amanhã, seja de ônibus, van ou Amarok, chama mais três amigos e vem pro Beira-Rio!”. A referência à caminhonete Amarok V6 remete diretamente a um dos detalhes mencionados por Léo Dias em sua reportagem sobre o caso.

A torcida entrou no clima. Levaram bandeiras com frases como “Inter Ama” e recepcionaram os jogadores ao som de “Uh! É Amarok” no pátio do Beira-Rio. Por outro lado, a publicação gerou incômodo em familiares dos atletas envolvidos. Esposas de alguns jogadores se manifestaram nas redes sociais, classificando a publicação como, no mínimo, “desrespeitosa”.

Internamente, dirigentes e a comissão técnica preferiram manter o silêncio. O episódio, embora não confirmado ou negado, é tratado como uma questão de foro íntimo dos atletas e suas famílias — sem reflexos oficiais no ambiente do vestiário.

Dentro de campo, porém, o Inter demonstrou pouco do espírito descontraído que marcou os bastidores. O time foi burocrático, repetiu dificuldades para propor o jogo e esbarrou na eficiente marcação do Fluminense. Saiu atrás, empatou com Carbonero, mas acabou perdendo por 2 a 1, com dois gols de Everaldo.

"Esse grupo, mesmo quando foi contestado, mostrou-se corajoso e reverteu situações adversas. Acreditamos nisso”, observa Roger Machado.

Após o apito final, a avaliação interna foi de que o caso extracampo não foi determinante, mas também não passou despercebido. A preparação foi afetada e o foco esteve longe do ideal. A pressão sobre o técnico Roger Machado, que já enfrentava questionamentos por oscilações recentes, aumentou. Críticas recaem sobre a falta de alternativas táticas e a queda de rendimento individual de algumas peças importantes do time.

Depois da partida, na área mista, os jornalistas foram avisados, com ênfase, pela assessoria de imprensa que as entrevistas seriam interrompidas caso os jogadores fossem questionados sobre o episódio da “Amarok” — apesar do próprio clube ter usado o tema em suas redes sociais. Somente Alan Patrick e Rochet passaram pelo local após a derrota e não foram confrontados com o tema. Nenhum dirigente concedeu entrevista, deixando as explicações unicamente à cargo de Roger Machado.

Com o revés sofrido dentro de casa, o Inter agora precisa vencer o Fluminense por dois gols de diferença no Maracanã, na próxima quarta-feira, para seguir vivo na Copa do Brasil. Um desafio técnico e psicológico para um grupo que, nos últimos dias, enfrentou problemas dentro e fora das quatro linhas.

“É frustrante perder em casa. Coletivamente, o time funcionou pouco. Coletivamente, também. Mas não há nada definido”, diz Roger Machado.

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