Segundo a polícia, o homem, que já tinha antecedentes, foi detido no dia da confusão. Independentemente do final do inquérito, será alvo de um pedido, na Justiça, de banimento dos estádios brasileiros por um período de um a três anos, com base no Estatuto do Torcedor.
Testemunhas relataram que ele e outros integrantes da Guarda, entre eles seguranças pagos, caminharam pelo pátio do estádio até o setor frequentado pela Popular do Inter, antes de colorados serem esfaqueados. Já o líder, de acordo com a polícia, alegou que se envolveu na confusão "quando caminhava em direção a um bar para comprar uma cerveja e percebeu uma briga em andamento no túnel de acesso ao portão 4".
O relato difere da versão apresentada por um dos agredidos, sem vínculos com as duas torcidas, que foi espancado por filmar a confusão com um celular. "Por enquanto não darei minha opinião sobre a veracidade desta versão. Preciso recolher todos os depoimentos e analisar imagens de vídeo. Ninguém é vítima nesta história. Houve uma briga generalizada e peciso saber os motivos para ela ter iniciado", destacou a delegada Sílvia Regina Cóccaro. O líder da torcida ainda relatou que sofre "perseguição" da Popular do Inter há mais de um ano e admitiu que paga seguranças.
A delegada investiga, ainda, se uma navalha também pode ter sido usada. "O fato de estar com soqueira caracteriza uma ilegalidade, mas é preciso apurar se ele ajudou a esfaquear", comentou, sem confimar um possível indiciamento por tentativa de homicídio ou uma responsabilização por lesão corporal. A polícia já sinalizou que, por enquanto, é mais provável que a acusação mais leve seja aplicada, mas laudos sobre a gravidade das lesões são aguardados. Além do líder, outro integrante da Guarda foi interrogado, sob suspeita de participação nas agressões com faca.
A direção do Inter já anunciou as extinções da Guarda e da Popular - com a proibição do ingresso de instrumentos, faixas, bandeiras, e de colorados cadastrados, com ingressos subsidiados -, mas ainda não impôs punições individuais. "Vamos aguardar uma decisão judicial, pois o clube entende que é preciso respaldo da Justiça para aplicar o Estatuto do Torcedor. Podemos exinguir as torcidas, mas todo torcedor tem direito de ir e vir. É preciso uma intervenção judicial para impedir o ingresso no estádio", disse o diretor de torcidas do Inter, Luis Fernando de Oliveira - que também é delegado de polícia.
Sílvia já confirmou que vai pedir à Justiça o banimento de pelo menos dois torcedores: o líder da Guarda e um líder da Popular do Inter. A lista, no entanto, pode ser maior. No último Gre-Nal, uma briga entre as duas torcidas ocorreu nas arquibancadas do Beira-Rio.