E, realmente, a biografia de José, hoje com 75 anos, é marcada por "loucuras" pelo clube. O coloradismo foi herdado do pai. Ramiro Stringhini trabalhou nas lojas de José Pinheiro Borda - ativo dirigente do clube na época e um dos idealizadores da construção do Beira-Rio, que hoje leva seu nome. "O Borda era como um pai para ele. Não era uma relação profissional, era uma relação afetiva", explica José, que é afilhado de Borda.
Como todo amante do futebol, José não se contentava com a arquibancada. Queria o protagonismo do campo. E tentou ser jogador. "Eu adorava futebol e virei fã do Viana, um volante baixo que não é muito lembrado. Pensei: quero jogar como ele".
O primeiro teste foi no Inter, claro. Depois de 15 minutos em campo e escassos toques na bola, foi dispensado. "Acho que eu estava nervoso", desculpa-se. A carreira seguiu. Foi para o Força e Luz, depois para o Renner. Em seguida, a convite de Carlos Froner, transferiu-se para o Cruzeiro, onde encerrou a carreira: "Eu tinha 21 anos e já treinava com os profissionais. Estava havia oito meses no Cruzeiro e só recebera por quatro. Então, cheguei no presidente e pedi as contas. Nunca me arrependi, pois o que eu queria era jogar pelo Inter".
Largou o sonho de ser jogador a passou a desenhar cartazes de cinema, aptidão legada do pai como a paixão pelo vermelho. Aproveitava o talento para ficar próximo do Inter e para provocar o Grêmio. Fazia faixas que levava para os estádios. "Uma vez, logo depois da inauguração do Beira-Rio, fiz uma faixa de oito metros escrito 'Chiqueiro' especialmente para levar para um Gre-Nal no Olímpico. A torcida do Inter adorou. A do Grêmio queria me matar", lembra.
Com o Beira-Rio pronto, em 1969, pintou as placas de todo o estádio. No dia da inauguração, aproveitou-se de uma brecha e entrou no gramado. Hoje, guarda com carinho as fotos do corte da fita, onde aparece ao lado das autoridades. "Muitos choraram na inauguração. Eu vi", lembra.
Quando os cinemas de bairro fecharam, ele abandonou as tintas. Abriu, junto com o filho, também colorado, uma empresa de comunicação visual. Hoje, evita assistir às decisões e partidas mais tensas. Teme pela saúde. E, apesar de ser sócio há 74 anos, não verá o Inter enfrentar o Peñarol. José não tem ingresso. Deve ficar em casa, na zona Norte de Porto Alegre. Ou fazer um passeio de motocicleta. Será uma forma de esquecer que há jogo.