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Maturidade do campeão Roger Machado

Nome histórico do Grêmio nos anos 1990, o técnico foi um dos grandes responsáveis pelo reencontro do Inter com uma taça

Inter Campeão Gaúcho 2025 teve Roger Machado no comando
Inter Campeão Gaúcho 2025 teve Roger Machado no comando Foto : Fabiano do Amaral

“Torcedor é apaixonado pelo time. Eu sou pelo jogo e entendo o torcedor. Como profissional do futebol, em 32 anos nesse lugar, consigo administrar bem e trabalhar com tranquilidade nesses momentos.”
Foi assim que Roger Machado se dirigiu aos torcedores quando vestiu vermelho pela primeira vez, em julho do ano passado. Falou aos torcedores dos dois lados, pois no azul também havia a expectativa por aquele discurso.

Vinha do Grêmio o mais recente dissabor que Roger carregava no estômago. Uma demissão orquestrada enquanto comandava um treino no Grêmio na reta final da Série B em 2022 fez ele repensar a carreira. A amigos próximos cogitou inclusive pendurar o boné por ver, naquele momento, que o futebol não lhe estava mais fazendo bem. Logo o esporte que o fez feliz a vida toda. Com o tempo, passou a digerir a bola nas costas e retomou a carreira de técnico onde havia começado uma década antes.

Não foi "o jogo", a razão de sua paixão, mas uma sequência deles que levou o treinador ao Beira-Rio. Não fosse por um estrago feito no próprio Inter, Roger não estaria no Beira-Rio naquele momento. As recentes eliminações na Copa do Brasil e no Gauchão impostas pelo Juventude comandado por ele motivaram Alessandro Barcellos a buscá-lo em Caxias do Sul. E já em 2024 o time deu resposta e terminou o ano com folga entre os classificados para a Libertadores.

O torcedor e, provavelmente nem o técnico, lembre de outra passagem marcante da apresentação do técnico. Ela antecipava o Roger que se vê agora com o quarto título estadual no peito em uma carreira de apenas 11 anos: "Estou preparado para esse momento. Tive muitas experiências em diferentes níveis, mas a maioria no nível onde está o Inter. Me sinto amadurecido".

Após o Gre-Nal da primeira fase do Gauchão, talvez na melhor atuação do Inter até ali, ele falou na maturidade construída pelo time no segundo mês do calendário. Antes da primeira final na Arena, voltou a falar em maturidade, desta vez dele próprio por administrar as emoções diante do momento decisivo. Após o 2 a 0 e o passo dado para o título não falou, mas demonstrou maturidade. Alertou o vestiário para manter os pés no chão pela vantagem construída.

Este é Roger Machado, dos cabelos cada vez mais grisalhos na lateral da cabeça, fruto das preocupações dentro e fora de campo. Um cara com história no Grêmio, personagem inclusive do hepta até este domingo, mas sempre respeitoso quando adversário. Inflamado por um torcedor de microfone na mão em uma entrevista na metade do Gauchão, ele chegou a dizer que "não queria enxergar fantasmas" e que "a narrativa havia funcionado", se referindo às pressões de arbitragem, assunto perpassado durante todo o campeonato.

Aquele não era exatamente Roger Machado, dos cabelos cada vez mais grisalhos na lateral da cabeça. Basta ler a primeira linha desse texto. Nela está um pouco da explicação do porquê o Inter voltou a ser campeão depois de nove anos. Poucos têm a paixão pelo jogo como o cara responsável por fazer os colorados voltarem a sorrir.