Dorival conversou com o Correio do Povo na tarde dessa terça-feira, minutos antes de mais um treino no gramado principal do Beira-Rio. O técnico não fugiu das perguntas e foi enfático: "Não abro mão da disciplina".
Para o técnico, o Inter chega ao Brasileirão como candidato ao título, mas ele faz uma ressalva. "O Inter é um postulante ao título, desde que tenha o grupo todo à disposição", ponderou. A importância de reforçar o grupo foi novamente abordada por Dorival. "Precisamos de dois ou três jogadores para chegar e lutar direto pela camisa de titular. Os outros, podem ser apostas."
Leandro Damião
Dorival - "Tenho muitas esperanças de ele ficar até o final do ano. Se o Inter estiver pensando em alguma coisa além de boa campanha, temos de contar com os nossos melhores jogadores. Mas não tenho promessa."
Méritos próprios
Dorival - "Não sei se os tenho. Transfiro para o grupo. Já conquistamos dois títulos, mas a aceitação do trabalho por parte dos jogadores é o que pode ser destacado. Se o grupo não quiser, não adianta que você não terá uma sequência."
Arrependimentos
Dorival - "Muito poucos. Na maioria das vezes, tomei a decisão correta. Não me arrependo nem das punições ao Tinga e ao Dagoberto. Um grupo precisa de disciplina e aquilo foi importante. Foi o divisor de águas."
Jô e Jajá
Dorival - "O Jô é a grande decepção. O Jajá ainda não. Se vai ganhar novas chances? Ainda não sei. Vai depender dele."
Craque do time
Dorival - "Cada um tem seu peso e seu valor. Mas acho que o Oscar faz muita falta ao Inter. O D''Alessandro é um craque, mas acho que o Oscar ataca, defende, chega à frente e faz gols. Além disso, o D''Alessandro acabou ficando fora de muitos jogos e a equipe teve de se adaptar."
Saída de Tinga
Dorival - "Fui pego de surpresa. Me comunicaram que ele tinha uma proposta muito boa e que não tinha mais o que fazer. Todo mundo sabe que eu queria ele aqui."
Expulsões
Dorival - "Eu reconheço que me altero. Não reclamo de erros técnicos do árbitro, mas não aceito omissões e duplas interpretações. Vou continuar questionando. A maioria dos árbitros ainda olham a camisa, o local e o momento das partidas."
Disciplina
Dorival - "Não sou intransigente. Tomo decisões calcadas em uma base boa de informações. Mas não abro mão da disciplina. Infelizmente, o Brasil é um país corrompido. Por isso, as punições não são mais aceitas. Existe uma cultura da impunidade".
Punições
Dorival - "Se você pune um garoto, tem que punir um outro de referência. Por que não? Se o cara saiu da linha, não interessa se está fazendo um monte de gols. Tem de ser punido. Punição serve para todo mundo."
Interferências
Dorival - "Se um dia, em algum momento, tivesse alguma interferência, eu deixaria o cargo. Até porque toda a responsabilidade é do treinador. Então, não vou beneficiar A ou B sabendo que o demitido vai ser eu."
Futuro no Inter
Dorival - "Sei que meu contrato é renovado a cada final de semana, a cada jogo. Até porque ninguém olha trabalho no futebol. A gente brinca que quem faz trabalho é pai de santo. Treinador tem de fazer resultado."
Exigência por resultados
Dorival - "Ser campeão gaúcho, para muitas pessoas, não vale nada. Mas, para mim, vale muito. Mas temos de nos responsabilizar por aquilo que cativamos e o Inter cativou a condição de ganhar a todo momento."
Críticas
Dorival - "Há excesso de críticas. Mas não estou falando só daqui (Rio Grande do Sul). E também não é uma resposta a alguém. Mas acho que a imprensa deveria valorizar mais o produto futebol. Todos nós vivemos disso e poderíamos estar mais próximos. Todos sairiam ganhando. Mas treinador algum serve, ninguém presta. O melhor, sempre, é o que está fora. As pessoas, então, saem de um lugar, vão para outro, continuam ganhando e, mesmo assim, estão na corda bamba. Não vejo luz no final do túnel."