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"Não queria enfrentar o Inter", diz Magrão

Volante do Al-Wahda pode jogar contra o time do qual garante ser torcedor

Ex-jogador do Inter, Magrão não quer enfrentar o Colorado no Mundial
Ex-jogador do Inter, Magrão não quer enfrentar o Colorado no Mundial Foto : Fabiano do Amaral / CP Memória
Magrão veste as cores do Al Wahda, considerado o melhor time dos Emirados Árabes Unidos. Leva uma vida tranquila, adaptada aos rigores do verão de Abu Dhabi e da cultura árabe. É ídolo e, devido às boas atuações, acaba de renovar seu contrato por mais dois anos com opção para um terceiro. Ou seja, se quiser, pode ficar onde está até 2013.

Mas Magrão anda inquieto ultimamente. Nervoso como nunca desde que deixou o Beira-Rio, ano passado. Seu time foi campeão do campeonato local e, como tal, credenciou-se ao Mundial de Clubes como representante do país anfitrião. Ou seja, dependendo do sorteio que será realizado em breve pela Fifa, pode cruzar com o Inter em Abu Dhabi.

"Particularmente, não queria enfrentar o Inter. Vai ser muito difícil para mim. Todo mundo sabe que a camisa colorada foi uma segunda pele para mim. Às vezes, assisto aos jogos aqui e me dou conta que torço como legítimo torcedor. Só quem joga no Inter sabe o que é isso. O jogador vira torcedor. É só perguntar para o Sobis, o Nilmar, o Bolívar...”

Sincero, Magrão admite as poucas possibilidades de sucesso para a sua equipe no torneio. “Vou ser sincero. Não tenho parâmetro, pois não enfrentamos time de fora daqui. Para os padrões locais, o nosso time é muito bom. Tem nove jogadores na seleção dos Emirados. Não tem como saber o que a gente vai fazer no Mundial. Eu vou lutar e tentar passar para eles (árabes) que a gente pode ganhar. Afinal, ninguém morre na véspera”, afirma.

O Al Wahda fez uma campanha memorável no último campeonato dos Emirados Árabes. Venceu todos os seus 11 jogos em casa. “Batemos todos os recordes. Fomos o time que mais somou pontos na história da liga”, resume.
Os pontos fortes da equipe são, além do próprio Magrão, um meia chamado Ismail Matar, que recusou uma proposta do Milan, o centroavante Fernando Baiano, também ex-Inter, e o zagueiro Bashir Saeed. Pinga, meia que passou despercebido pelo Beira-Rio, também atuava pelo clube, mas foi transferido para um clube da vizinha Dubai. Em compensação, acaba de chegar o ex-gremista Hugo.

Em 2009, quando Magrão deixou o Beira-Rio, o Inter perdeu um volante de muita raça e ganhou um torcedor em terras árabes. “Vai ser muito difícil de o meu time ser campeão. Por isso vou torcer pelo Inter”, finaliza.