“Eu concordo que minha história no clube não terminou”, disse D’alessandro em sua última entrevista coletiva como jogador profissional do Inter. O ídolo está de volta ao Beira-Rio, mas dessa vez como Diretor Esportivo, como anunciado pelo clube nesta na noite desta quarta-feira, 21.
De acordo com o Inter, D’Alessandro irá atuar no dia a dia do clube, tendo participação direta no auxílio para o desenvolvimento e conexão dos atletas, comissão técnica e direção.
A carreira como jogador do argentino se encerrou na noite de 17 de abril de 2022, depois da vitória importante com gol e homenagem para mais de 35 mil torcedores no Beira-Rio. “Sei que mais coisas acontecerão, mas preciso estar preparado. Preciso adquirir conhecimento", comentou sobre sua vontade de voltar para outros cargos no Inter. "Amanhã começo a mandar currículo para ver se consigo algum departamento do clube", brincou.
A experiência como dirigente de clube de futebol não será a primeira oportunidade de D’Ale, que já desempenhou função parecida no Cruzeiro em 2023.
Relembre como foi a vitoriosa carreira de D’Alessandro pelo Inter
D’Alessandro chegou para a sua primeira passagem pelo Inter no dia 30 de junho de 2008. O meia argentino desembarcou no aeroporto Salgado Filho com a difícil missão de substituir o ídolo Fernandão, que havia deixado o Beira-Rio para atuar no futebol árabe.
A qualidade com “la surda”, aliada ao perfil sanguíneo e o sucesso em Gre-Nais foram primordiais para D’Alessandro cair nas graças do torcedor colorado. O argentino escolheu o número 15 para iniciar a trajetória em Porto Alegre. A estreia foi no clássico Gre-Nal disputado pela Copa Sul-Americana no Beira-Rio, que terminou empatado por 1 a 1. O primeiro gol pelo clube aconteceu no dia 14 de agosto, em vitória do Inter contra o Botafogo por 2 a 1, no Nilton Santos.
No terceiro Gre-Nal disputado, D’Ale deixou a sua marca e ainda distribuiu duas assistências. Foi o grande destaque da partida. A partir de então, o argentino marcaria a história dos clássicos como um dos grandes carrascos do Grêmio. Ao longo de todo o tempo no clube, o meio-campista disputou 40 Gre-Nais, com 16 vitórias, 13 empates e 11 derrotas. Aproveitamento de 51%.
A primeira conquista foi no mesmo ano da chegada, em 2008. Ao lado de Bolívar, Índio, Guiñazú, Alex e Nilmar, D’Alessandro foi figura importante na conquista da Copa Sul-Americana diante do Estudiantes, da Argentina. O meia contribuiu com dois gols ao longo da campanha, além de ter cobrado o escanteio que resultou no gol do título, marcado por Nilmar na prorrogação da final no Beira-Rio.
Ao longo da primeira passagem, da metade de 2008 ao início de 2016, D’Alessandro conquistou 11 títulos, entre eles: a Copa Sul-Americana (2008), a Libertadores (2010) e a Recopa Sul-Americana (2011). Foram sete campeonatos gaúchos (2009, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016), além de uma Recopa Gaúcha (2016). Ele disputou 341 partidas, com 76 gols marcados.
Em 2010, o argentino foi escolhido o “Rei da América” pelo jornal “El País”, do Uruguai, pelo o que fez na conquista da Libertadores com o Colorado. Era o título que D’Ale almejava desde os tempos de River Plate.
Outro fato importante de D’Alessandro na idolatria que construiu no Inter aconteceu no dia 6 de abril de 2014. Na ocasião, o meia entrou para a história ao marcar o primeiro gol da reinauguração do “novo” Beira-Rio, em vitória contra o Peñarol, do Uruguai, por 2 a 1. O segundo gol dos mandantes no amistoso também foi marcado por “El Cabezón”. No final daquele ano, com a identificação que criou com Porto Alegre, D’Ale criou o “Lance de Craque”, evento beneficente que reuniu diversos craques do futebol mundial. A renda arrecadada foi repassada para instituições de caridade da Capital. A sexta e última edição ocorreu em 2019.
Para a surpresa dos torcedores colorados, no dia 3 de fevereiro de 2016, D’Alessandro foi emprestado ao River Plate.
Segunda passagem com acesso à Série A, vice-campeonato da Copa do Brasil e despedida no Beira-Rio
Aos 35 anos, D’Alessandro retornou ao Colorado com um objetivo muito claro para a temporada 2017: recolocar o clube na Série A do Brasileirão. E conseguiu.
Antes, porém, o argentino conquistou o último título com a camisa colorada: a Recopa Gaúcha contra o Ypiranga, em Erechim. O Inter ainda ficou no “quase” no Campeonato Gaúcho ao ser derrotado pelo Novo Hamburgo nos pênaltis e o próprio camisa 10 desperdiçou uma penalidade.
Depois de um início irregular no Brasileirão da Série B, o Inter conseguiu crescer na competição e encaminhar o retorno à elite do futebol brasileiro com o vice-campeonato, atrás apenas do América-MG. D’Alessandro disputou 31 jogos da campanha, com cinco gols marcados e dez assistências distribuídas. O meia argentino foi um dos principais responsáveis pelo acesso.
Após um bom Campeonato Brasileiro de 2018, com a terceira colocação, o Inter de Odair Hellmann chegou em uma final no cenário nacional em 2019: a Copa do Brasil. Para o azar de D’Alessandro, ele sofreu uma lesão muscular e não pôde estar em campo no jogo de volta da final contra o Athletico-PR. O Colorado não conseguiu reverter a desvantagem do jogo de ida, derrota por 1 a 0, e para piorar: voltou a perder para o Furacão por 2 a 1, no Beira-Rio. Sendo assim, ficou com o vice-campeonato da competição.
Com a chegada de Eduardo Coudet em 2020, D’Ale foi perdendo espaço na equipe e virou um “reserva de luxo” do Inter. Na campanha do vice-campeonato brasileiro, o camisa 10 disputou 20 partidas e não marcou nenhum gol. Já no final daquele ano, que coincidiu com o início da pandemia da Covid-19, o camisa 10 anunciou que não renovaria contrato com o clube e sairia ao final da temporada.
Em meio à segunda passagem pelo Beira-Rio, o meia argentino naturalizou-se brasileiro. Após 12 anos vivendo em Porto Alegre, o ídolo colorado conseguiu a dupla nacionalidade no dia 17 de setembro.
No dia 19 de dezembro, D’Alessandro realizou a sua despedida, que não foi definitiva, do Inter na vitória diante do Palmeiras por 2 a 0. Em um Beira-Rio completamente vazio por conta da pandemia, o argentino foi colocado pelo técnico Abel Braga aos 41 minutos do segundo tempo, quando o jogo já estava decidido. Após a partida, com a presença da família no gramado, ele recebeu homenagens e se emocionou.
D’Alessandro alcançava a marca de 517 jogos com a camisa colorada, o terceiro jogador com mais partidas pelo Inter. Com 95 gols e 113 assistências.
Último gol tinha de ser Colorado
D’Alessandro escolheu o Inter para encerrar a carreira do futebol. No dia 8 de janeiro de 2022, o Colorado anunciou a terceira passagem do ídolo pelo Beira-Rio, com contrato até o final de abril. Nesse pouco tempo, D’Ale disputou 12 jogos e marcou dois gols.
Seu último gol pelo gauchão de "El Cabezón" não poderia ser diferente: com a qualidade da canhotinha. No retorno ao Beira-Rio, no dia 29 de janeiro, o camisa 10 entrou na segunda etapa da partida contra o União Frederiquense pelo Gauchão. Aos 38 minutos, em cobrança de falta da entrada da área, bateu com categoria no canto direito do goleiro, que ainda resvalou na bola, mas não evitou que ela entrasse. A noite terminou com festa do argentino junto à torcida no estádio.
Sua despedida também foi em grande estilo. No dia 17 de abril de 2022, Andrés Nicolás D’Alessandro realizou sua última pártida com a camisa do Internacional. Com a 10 e faixa de capitão, o craque jogou 72 minutos e fez um golaço na vitória do Colorado por 2 a 1 sobre o Fortaleza pela 2ª rodada do Brasileirão. Ao final do jogo, foi ovacionado pelo torcida. Tirou fotos com colegas de time e com a família. Era apenas um até breve.
Revelado pelo River Plate, o argentino Andrés Nicolás D’Alessandro não imaginava tamanha idolatria que teria em um país vizinho, o Brasil. No Beira-Rio, ele é visto por muitos torcedores como um dos três maiores ídolos da história do Sport Club Internacional ao lado de Paulo Roberto Falcão e Fernandão. Ao todo, são 528 jogos com a camisa colorada e 96 gols marcados, além de 113 assistências. É o segundo jogador que mais entrou em campo pelo clube. Atrás apenas de Valdomiro, que soma 803 partidas.
*Pesquisa realizada pelo repórter Lucas Mello.