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Pagamentos sem documentação são uma das ressalvas às contas de Piffero no Inter

Adiantamentos seriam para pagar a intermediação da venda de Walter para o Porto

Uma das ressalvas mais importantes apontadas pelo Conselho Fiscal (CF) às contas de 2010, último ano de Vitorio Piffero na presidência do Inter, diz respeito a uma série de adiantamentos pagos "sem uma documentação suporte que embasasse claramente os pagamentos efetuados". A reportagem do Correio do Povo investigou o assunto, chegou aos documentos e ouviu as pessoas envolvidas.

Entre 6 de agosto e 8 outubro, o então 1º vice-presidente Pedro Affatato teria feito sete saques em dinheiro vivo na tesouraria totalizando R$ 158,9 mil. Os recibos variam entre R$ 1,9 mil e R$ 50 mil. Mais tarde, em 30 de novembro e 2 de dezembro, foram apresentadas à contabilidade duas notas fiscais de uma empresa de assessoria esportiva para comprovar os gastos.

Na discriminação dos serviços das notas, aparece a justificativa: os adiantamentos seriam para pagar a intermediação da venda de Walter para o Porto, de Portugal, negócio que ocorreu julho. Os portugueses, inclusive, pagaram a primeira parcela do negócio, em agosto, no valor de R$ 4,5 milhões. Depois, em dezembro, o Porto pagou mais R$ 2,7 milhões.


Adiantamentos seriam para pagar a intermediação da venda de Walter para o Porto / Foto: Mauro Schaefer

O CP também teve acesso ao Termo de Compromisso celebrado entre a empresa e o clube pactuando a intermediação da venda de Walter. De acordo com ele, o clube teria de pagar um total de R$ 192 mil à empresa em duas parcelas. O primeiro vencimento é em 29 de novembro, data da assinatura do contrato. O outro, em 10 de dezembro. No entanto, as retiradas na tesouraria foram feitas antes, entre agosto e outubro.

O empresário Humberto Rímoli, dono da empresa, falou com o CP na quinta à noite. Ele estava em São Paulo e disse que não lembrava das notas. Disse, porém, que sempre foi pago com depósitos em conta-corrente quando fez algum trabalho para o Inter. "Sempre recebi em cheque, depositado na minha conta", afirmou.

Affatato, por outro lado, confirmou os pagamentos a Rímoli. Mas disse que foram feitos em dinheiro. "Temos um contrato que justifica os pagamentos. Fomos pagando conforme o fluxo de caixa permitia, principalmente depois dos jogos", explicou o dirigente. O ex-presidente Vitorio Piffero também confirma os pagamentos.







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