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“Por enquanto, Inter de 2006 é melhor que o de 2010”, diz Carvalho

Em entrevista exclusiva ao Correio do Povo, dirigente diz que Colorado está pronto para o Mundial

Fernando Carvalho diz que Inter está pronto para o Mundial
Fernando Carvalho diz que Inter está pronto para o Mundial Foto : Pedro Revillion / CP Memória
Fernando Carvalho, nesse momento, trabalha para concretizar dois objetivos: tornar o Inter bicampeão mundial e levar o amigo Giovanni Luigi à presidência. Um projeto não atinge o outro, segundo o próprio Carvalho. Ele concedeu uma entrevista exclusiva ao Correio do Povo, na qual falou sobre as chances do time em Abu Dhabi e reclamou da campanha de Pedro Affatato.

CP: O Inter chega pronto para o Mundial?
FC: Sim, chegaremos prontos, com o grupo focado para tentar vencer mais um vez.

CP: Como administrar a tensão da estreia?
FC: O jogo de estreia gera sempre muita ansiedade. Esse ano acho que jogaremos com Pachuca, uma grande equipe que pode até ser campeã do mundo. Vamos ver jogos antigos do adversário pra tentar amenizar essa ansiedade que é normal.

CP: Qual o melhor Inter: 2006 ou o de 2010?
FC: Por enquanto, o 2006, pois foi campeão. Contudo, em termos de qualidade individual, os dois elencos se equivalem.

CP: Temos um novo Pato este ano? E quem pode ser o novo Gabiru?
FC: Temos jogadores jovens ainda não consagrados, como Oscar, Sasha e Marquinhos, que podem representar aquilo que Pato foi em 2006. Por outro lado, não vejo no nosso grupo nenhum atleta que possa equiparar-se ao Gabiru.

CP: A eleição presidencial interfere para a preparação para o Mundial?
FC: De maneira alguma, pois o Mundial começará dez dias após o pleito. Enquanto estávamos vivos no Brasileirão, procurei não me envolver na eleição para evitar que o assunto entrasse no vestiário. Após perderemos as chances no Campeonato Brasileiro, entrei na campanha, o que em nada afetará nossas relações internas visando o Mundial.

CP: Por que o senhor optou por Giovanni Luigi?
FC: Giovanni Luigi além de ser o Inter Grande é o candidato mais preparado, pois, nos últimos 30 anos, trabalhou na comunicação social, na administração, nas finanças e no futebol. Na nossa opinião, quem não passa pelo futebol não pode candidatar-se a presidente.

CP: Por que não houve acordo? Quais os reais motivos?
FC: Nós do Inter Grande, por termos mais conselheiros e por teremos quadros com mais visibilidade que os quadros dos outros grupos de apoio - assim, como se faz na política tradicional - sempre entendemos que devíamos indicar o candidato a presidente. Propusemos para a União Colorada, do Pedro Affatato, uma composição para os próximos quatro anos, onde Giovanni seria presidente nos primeiros dois anos e Affatato nos próximos dois, com o que preservaríamos nossa unidade. Embora esse compromisso tenha sido assumido por mim e por Vitorio Piffero, Affatato não aceitou e aí todas as demais questões relativas ao acordo, inclusive para a chapa do conselho, se inviabilizaram. Hoje somos adversários.

CP: Como o senhor está atuando nesta campanha?
FC: Estou atuando como quem quer vencer a eleição. Já fizemos mais de dez viagens ao interior, com ampla aceitação do associados ao nome do Giovanni e para a Chapa 3. Estou avalizando perante todos o nome do Giovanni Luigi como o melhor candidato para que o trabalho que iniciou 2002 tenha sequência vitoriosa que todos os colorados desejam. Giovanni é o melhor candidato, claramente.

CP: Como está vendo o nível da campanha até este momento?
FC: Há uma tentativa clara da chapa 1 em desqualificar o Giovanni no período em que foi vice de futebol. Lembro sempre aos associados que como vice de futebol Giovanni Luigi conquistou quatro títulos: Recopa, Gauchão, vencendo a final por 8 a 1, contra o Juventude, Copa Dubai e Copa Sul-Americana. Também no seu período contratamos Guiñazu, Magrão, Nilmar e D'Alessandro. De nosso lado, nunca desqualificamos Affatato, que foi o excelente vice de patrimônio.

CP: Qual deve ser o foco do novo presidente do clube?
FC: A historia do Inter, em 102 anos de vida, aponta numa só direção - futebol. Claro que temos que pensar na estrutura, nas melhorias do estádio, na conclusão das obras, na profissionalização e aperfeiçoamento da gestão, tudo a desaguar no futebol.

CP: Existe maneira de fazer futebol sem vender jogadores?
FC: Não é porque estamos na véspera de uma eleição que vamos mudar o nosso discurso. É necessário vender um ou dois jogadores por ano para poder cumprir nossos compromissos. Além disso, é a forma de qualificar a equipe agregando novos jogadores ao grupo, como fizemos com Nilmar, D'Alessandro, Guiñazu. Talvez, após o término das futura obras do Beira-Rio, com a rentabilização do nosso patrimônio, possamos evitar ou reduzir o número de vendas de atletas. Na verdade, acho que nem Affatato acredita que possa governar sem vender jogadores, embora esteja dizendo o contrário.

CP: O senhor será o vice de futebol de Luigi?
FC: Se a resposta fosse hoje, ela seria negativa. Tenho alguns compromissos assumidos para depois de janeiro de 2011 que me impedem de aceitar o convite do Giovanni, caso seja eleito. Contudo, estou tentando contornar os impedimentos para ficar, pelo menos, até o final da Libertadores e da Recopa.

CP: Por que o presidente Vitorio Piffero não abriu o voto até o momento?
FC: Por ser presidente, Vitorio esta evitando manifestar-se publicamente sobre sua preferência. Me atrevo a revelar, pois fui autorizado pelo presidente Piffero, que ele votará no Giovanni Luigi e na chapa 3, por ser integrante do movimento do Inter Grande.


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