A primeira vez que se falou na possibilidade de trazer Adriano - que não joga em alto nível desde 2009, quando foi campeão brasileiro pelo Flamengo, e fez duas cirurgias no tendão de Aquiles do pé esquerdo nos últimos dois anos - foi em janeiro. Logo, porém, o assunto foi descartado. Uma nova chance surgiu há apenas dois meses, quando o empresário João Bandeira procurou o diretor executivo do Inter, Newton Drummond, no CT Parque Gigante. Conhecendo Luigi, Chumbinho também não deu andamento às tratativas.
O empresário, porém, não se deu por satisfeito. Ao perceber o engavetamento do assunto por Chumbinho, procurou o diretor de futebol Marcelo Medeiros, que gostou da ideia - apesar de prever a rejeição dos pares. Então, fez uma consulta aos colegas do futebol, já apresentando a possibilidade de um contrato por aproveitamento. Uns aprovaram, como o próprio Medeiros, outros reprovaram, como o também diretor de futebol Luis César Souto de Moura. Um, porém, não só aprovou, como passou a exigir a contratação. Este era Dunga.
Foi quando a possibilidade, que era para ser mantida em sigilo, vazou à imprensa. Em seguida, o assunto foi levado a Luigi, que rechaçou de imediato. O presidente chegou a dar entrevistas repudiando a contratação, exatamente na contramão do que fazia Dunga, que publicamente dizia querer Adriano.
O entendimento veio somente na última segunda-feira, quando Dunga foi pessoalmente à sala de Luigi dizer que controlaria o ímpeto de Adriano fora de campo. O presidente, então, cedeu, mas considera o treinador o principal avalista da contratação. Para o bem ou para o mal.
Sem meio termo
Se der certo, a contratação de Adriano pode asfaltar o caminho do Inter até os títulos. Por outro lado, o atacante pode transformar-se em decepção e acabar com o ambiente no vestiário colorado. Os dirigentes têm consciência e, por isso, não tolerarão deslizes.
Mesmo sem confirmar a vinda do centroavante - que ainda depende da realização de mais exames médicos, o presidente Giovanni Luigi admite um controle especial sobre o jogador. "Ele não está contratado. Mas se for e aprontar quando estiver aqui, a gente rescinde o contrato e não paga nada. Simples assim", afirmou o dirigente, em tom de ameaça.
Luigi refere-se à modelagem do contrato, cheio de cláusulas que protegem o Inter em caso de Adriano ter problemas de comportamento. Em seus clubes anteriores, eram comuns as faltas aos treinos e as discussões com técnicos. Os problemas, porém, estariam superados. Adriano teria, inclusive, uma namorada nova. O atacante estaria bem mais magro e concentrado. Enfim, disposto a recuperar-se e buscar seu lugar de volta na Seleção Brasileira.