Inter

Quase tragédia marca surgimento de novo Inter

Vitória de 2 a 0 sobre Paysandu livrou time gaúcho rebaixamento em 2002

Jogadores comemoram vitória sobre Paysandu no Mangueirão
Jogadores comemoram vitória sobre Paysandu no Mangueirão Foto : Paulo Amorim / Especial CP / CP Memória
Logo depois do almoço, um aguaceiro desabou, daqueles típicos da região Amazônica. Foi tanta água que se chegou a duvidar da realização da partida. Mas, depois do temporal, veio o sol, que secou o gramado do Mangueirão e o deixou pronto para Paysandu x Inter, o jogo que entrou para a história colorada como a pedra fundamental de toda uma trajetória de vitórias que viria nos anos seguintes. De quase rebaixado, o Inter foi ao mundo. Foi há dez anos - completados hoje -, mas para a maioria dos envolvidos parece que foi ontem. "Foi um divisor de águas. A partir dali, o Inter foi outro", lembra Fernando Carvalho.

Ex-dirigente do Paysandu reacende polêmica

A dramaticidade foi total. No meio da semana, o Inter havia perdido para o Cruzeiro no Beira-Rio por 1 a 0. Na saída de campo, os atletas admitiam que o rebaixamento para a Segunda Divisão era iminente. Carvalho antecipou a viagem a Belém. A delegação embarcou na quinta-feira para o jogo que seria somente domingo.

"A nossa situação era terrível. Além de vencer o Paysandu, precisávamos de resultados paralelos. Os salários dos jogadores estavam atrasados em um mês, os direitos de imagem, em três", recorda Carvalho, que estava finalizando o primeiro ano da sua gestão. "Se caíssemos, ficaria marcado como o presidente que rebaixou o Inter", prossegue. O vestiário estava conturbado. Muitos jogadores foram afastados por indisciplina. "Tinham bons jogadores, mas os caras não se cuidavam. E isso se refletia no campo", relembra Clemer, o camisa 1 daquele time e um dos raros que permaneceu para 2003 com contrato renovado.

O Inter viajou na 24ª posição do Campeonato Brasileiro, que naquele ano era disputado por 26 times. Ou seja, já estava na zona de rebaixamento. Tinha 26 pontos, um a mais que o Botafogo e um a menos que Paraná, Bahia, Portuguesa e Palmeiras. O Gama, com 22 pontos, já estava matematicamente rebaixado. Todos os outros lutavam para não ficar entre os três degolados. "Eu tentava motivar o pessoal, mas nem meu discurso estava bom naquelas alturas", lembra Carvalho.

O jogo foi tenso do início ao fim. O Paysandu equilibrou no primeiro tempo. No segundo, deu Inter. Aos 13 minutos, Mahicon Librelato aparou cruzamento de Fernando Baiano e abriu o placar. O 2 a 0 veio 3 minutos mais tarde, com o próprio Fernando Baiano cobrando falta. "Foi uma sensação de alívio muito grande. Só vivi emoção semelhante em 2006, quando o Inter foi campeão mundial", continua Carvalho.

No vestiário, o presidente colorado jogou-se nas banheiras com os jogadores. "Cara, naquela hora a gente não pensou em nada. Só puxamos o homem", lembra Clemer. O Inter continuou na Primeira Divisão, reciclou-se, mudou a forma de gerir seu futebol e conquistou o mundo.

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