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Rafael Moura diz não entender motivos das vaias

Centroavante emitiu nota para se defender das críticas que tem sofrido da torcida do Inter

Rafael Moura diz não entender vaias da torcida do Inter
Rafael Moura diz não entender vaias da torcida do Inter Foto : Alexandre Lops / Inter / Divulgação CP
Escolhido como principal alvo da torcida após os recentes resultados ruins do Inter, o centroavante Rafael Moura se manifestou por meio de nota oficial nesta terça-feira. No comunicado enviado à imprensa, o jogador apresenta dados que mostram ele como quinto artilheiro com melhor média de gols entre os atacantes dos clubes da Série A do Brasileirão e diz não entender por que foi vaiado quando o Inter ainda vencia o Figueirense no domingo no Beira-Rio.

No início da nota, Rafael Moura elogia a torcida por ter se manifestado sem uso de violência, mas reclama das vaias ao longo do jogo. “O Inter tem hoje o quinto maior goleador da temporada - no caso, eu - entre todos os atacantes dos 20 clubes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Não é algo fácil, ainda mais considerando a visibilidade e a preocupação causadas em cada adversário que entra em campo para enfrentar o nosso time”, argumenta Rafael Moura, que diz que as vaias prejudicam não apenas ele, mas também toda o time..

“Sinceramente, não entendi no último jogo, quando nossa equipe ainda vencia o jogo por 2 a 0, o motivo de eu escutar vaias todas as vezes em que encostava na bola. Entendo perfeitamente a cobrança, a vaia e os manifestos virem após a partida terminar. Sei da grandeza do clube e da importância que os jogos, principalmente no Beira-Rio, têm para o torcedor do Inter. É, sim, fundamental vencermos em casa, mas o time é uma engrenagem, que não tem como funcionar bem se não estiver em sintonia com o seu torcedor. Podem ter certeza de que as vaias direcionadas a mim também refletem no restante do time”, completa.

Confira a nota na íntegra

“Após a partida deste fim de semana contra o Figueirense, pelo Campeonato Brasileiro, aconteceram manifestações na saída do estádio Beira-Rio que me motivaram a expressar minha opinião sobre o momento atual vivido pelo Sport Club Internacional.

Uma coisa é fato: a maneira que a torcida do Inter encontrou para demonstrar sua insatisfação com o time é digna de aplauso. Vai ao estádio, paga ingresso, vaia da arquibancada e, tudo isso, sem partir para a agressão física. Atitude essa que deveria servir de exemplo para as torcidas em geral da maioria dos clubes, devido à presença da consciência de que a violência em hipótese alguma deve ser utilizada para resolver um conflito entre partes interessadas em um mesmo objetivo.

Podem ter certeza que nós jogadores estamos atentos a isso e com os brios mexidos, tanto que estou aqui para discutir o assunto com vocês. A cobrança no futebol é aceitável e um jogador tem que saber conviver com ela, gostando ou não.

Na maioria dos clubes, a mesma torcida que critica é aquela que apoia e empurra o time para as vitórias. No caso do Internacional, sei claramente que é ainda mais intensa e fiel essa relação entre torcedor e instituição, pois trata-se de mais de 100 mil sócios que investem o resultado do suor do seu trabalho para ver o time competitivo e lutando por títulos.

No entanto, eu afirmo com convicção que sou um atleta sério e compromissado com a minha profissão. Então, para ser coerente comigo mesmo, devo deixar claro o outro lado da moeda. O Inter tem hoje o quinto maior goleador da temporada - no caso, eu - entre todos os atacantes dos 20 clubes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Não é algo fácil, ainda mais considerando a visibilidade e a preocupação causadas em cada adversário que entra em campo para enfrentar o nosso time.

Sinceramente, não entendi no último jogo, quando nossa equipe ainda vencia o jogo por 2x0, o motivo de eu escutar vaias todas as vezes em que encostava na bola. É lógico que, perder da forma como perdemos, tomando uma virada após ter esse placar a nosso favor, é algo vergonhoso para todos nós. Mas o mérito do adversário nunca pode ser menosprezado, seja qual time for.

Contudo, o meu questionamento é em relação à falta de apoio mesmo quando o placar estava favorável. Estar vencendo por 2x0 jamais é motivo para que a vaia seja maior do que o incentivo. Se comigo, que a carreira inteira fui acostumado com a pressão em grandes clubes, como Atlético-MG, Corinthians e Fluminense, e, mesmo assim, ainda fico realmente desestabilizado quando isso acontece, imaginem com a "molecada" da base que está tendo seus primeiros momentos como jogador profissional. Podem ter certeza de que as vaias direcionadas a mim também refletem no restante do time.

Não consigo mesmo entender um jogador ou o time ser vaiado no momento em que está construindo a vitória. Entendo perfeitamente a cobrança, a vaia e os manifestos virem após a partida terminar. Sei da grandeza do clube e da importância que os jogos, principalmente no Beira-Rio, têm para o torcedor do Inter. É, sim, fundamental vencermos em casa, mas o time é uma engrenagem, que não tem como funcionar bem se não estiver em sintonia com o seu torcedor.

Sou homem o suficiente para assumir a parte da responsabilidade que me cabe e estou pronto para dar a resposta que a nação colorada espera de mim dentro de campo. Sonho, assim como todos os torcedores, em ser campeão brasileiro pelo Inter e conto com o apoio de vocês".

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