O Inter está na zona de rebaixamento, o que constrange o vice de futebol, José Olavo Bisol, e todo o vestiário colorado. Mas ele encara o segundo semestre com otimismo e diz que o time — que volta neste sábado aos treinos no CT Parque Gigante após 15 dias de férias — estará pronto para os enfrentamentos com o Fluminense e o Flamengo, pela Copa do Brasil e a Libertadores, respectivamente. Antes disso, a meta é buscar a recuperação no Campeonato Brasileiro. O dirigente concedeu uma entrevista ao Correio do Povo, na qual também falou sobre reforços, dificuldades financeiras e outros temas. A seguir, os principais pontos.
MAIOR DESAFIO
Entendemos que uma parte do que a gente planejou não deu certo, o que nos colocou nessa situação no Campeonato Brasileiro. Então, o nosso grande desafio, até por uma questão de calendário, é buscar a retomada no Brasileiro. Claro que não vamos deixar de estabelecer também a nossa estratégia para as Copas. Mas temos quatro jogos importantes antes das Copas, três deles em casa, já com a recuperação dos nossos atletas que vinham de lesão, e acreditamos que vamos subir na tabela.
FALTA DE OTIMISMO
Em primeiro lugar, tenho cautela quanto a esse diagnóstico de que a torcida tem esse sentimento (falta de otimismo). Acho que há uma parcela da torcida que está desconfiada e chateada — com razão, pelo momento que estamos vivendo no Brasileiro, que nos constrange e nos preocupa. Agora, precisamos entender que esse mesmo torcedor já viu esse grupo ganhar o Gauchão, buscar a classificação nas duas Copas e até ser cogitado como candidato ao título brasileiro. Ficamos 16 jogos invictos. O torcedor está enxergando as coisas. Não deveríamos estar nessa condição no Brasileiro, mas também não dá para dizer que esse grupo de jogadores e essa comissão técnica não têm a capacidade de se reinventar e, mais do que isso, de se recuperar. Com a volta dos lesionados, temos convicção de que o time pode fazer os enfrentamentos.
FÉRIAS DE 15 DIAS
As nossas estratégias não saem da cabeça de uma só pessoa. O departamento de futebol é composto por uma equipe multidisciplinar. Então, desde a fisiologia e o departamento médico, passando pela fisioterapia e até a parte jurídica, estabelecemos essa estratégia. E não dá para comparar o tamanho das férias de um clube com o de outro. Várias situações se apresentam. Por exemplo: quantas competições o clube está disputando? Isso define também a intensidade dos jogos que virão. Precisamos lembrar que o Brasileiro termina em 22 de dezembro. Diante do contexto de campeonatos e enfrentamentos que teremos, aliado à necessidade de recuperação dos atletas, entendemos que esses 15 dias eram importantes.
REFORÇOS
Primeiro, vamos ver como o mercado se movimenta. Também temos que considerar o momento que estamos vivendo, a inflação no futebol e questões estratégicas de consumo interno. Mas, quanto menos a gente expor, melhor. Teremos que ser eficientes, principalmente diante dessa dificuldade financeira. Não vamos revelar as posições, o número de atletas nem nomes específicos que buscamos. Por quê? Porque o mercado é concorrido. Já estamos trabalhando, junto com a comissão técnica, entendendo as possibilidades que o mercado oferece. Temos clareza de que precisamos de reforços.
TEMPO DOS REFORÇOS
A janela ainda não está aberta. Já contratamos um atleta, inclusive, para demonstrar eficiência. O departamento não parou um minuto. Só porque os jogadores estão de férias, não quer dizer que a vice-presidência e os executivos também estejam. A nossa ideia é acelerar esse processo, até porque os maiores desafios do ano estão marcados para agosto.
FALTA DE DINHEIRO
Sabemos que o dinheiro é escasso e que temos pouco para investir. Mas vamos lidar com essa situação. O Inter precisa fazer contratações e também pode ter algumas saídas (vendas) que nos ajudem nisso. Acima de tudo, precisamos trabalhar com eficiência, criatividade e análise de dados, além de ter muita convicção no diagnóstico que está sendo feito internamente.
VENDAS
A nossa ideia é não perder capacidade competitiva. Eu não gostaria de perder ninguém que possa nos causar prejuízo esportivo. Temos outras estratégias e possibilidades de cumprir a meta orçamentária sem, talvez, vender atletas em nível de titularidade. Mas vamos ver como o mercado se apresenta. Inevitavelmente, precisa fazer vendas pois temos responsabilidade de cumprir a meta orçamentária.
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