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''Seria esquisito enfrentar o Inter'', afirma Jorge Fossati

Técnico comanda o Al-Shabab, da Arábia Saudita

Técnico comanda o Al-Shabab, da Arábia Saudita
Técnico comanda o Al-Shabab, da Arábia Saudita Foto : Cristiano Estrela / CP Memória
Na tarde de 28 de maio, Jorge Fossati foi surpreendido pela visita de uma comitiva de dirigentes colorados. Fernando Carvalho e companhia foram até o apartamento do uruguaio, em um dos bairros mais elegantes de Porto Alegre, naquele final de tarde com um apenas um objetivo: demiti-lo. Mas os tortuosos caminhos do futebol estão prestes a pregar uma peça em Fossati e naqueles que o mandaram embora. No comando do Al-Shabab, da Arábia Saudita, o treinador está a dois jogos de conquistar uma vaga no Mundial de Clubes. E lá em Abu Dhabi, Fossati pode enfrentar o Inter só meio ano depois de deixar o Beira-Rio. "Reencontrar o Inter agora seria uma coisa esquisita. Há poucos meses, eu tinha o sonho de jogar o Mundial com o Inter. Não dava para imaginar que tão pouco tempo depois eu iria estar próximo do mesmo sonho, mas trabalhando em outro time", afirmou.

O seu Al-Shabab já venceu o primeiro jogo da semifinal da Copa da Ásia, espécie de Libertadores de lá. Jogando em Riad, bateu o Seongnam, da Coreia do Sul, por 4 a 3. Agora, busca um empate, na casa do adversário, para chegar à final, que será disputada no Japão em apenas uma partida. Na outra semifinal, jogam o Zobahan, do Irã, e o Al-Hilal, também da Arábia. "Eu não posso pensar no Mundial. Estamos a dois jogos de conquistar a vaga. É fácil de falar, mas é complicado de fazer", pondera.

Ele não esconde que a sua saída do Inter deixou marcas. Fossati sente-se traído, pois poucas horas antes de ser comunicado da demissão fazia planos para o futuro com os mesmos dirigentes. "Não poder acabar um trabalho que comecei e que tinha tanta esperança é difícil. Ficou frustração, mas não estou magoado com o clube ou a com torcida. Foi uma ou duas pessoas que agiram mal", lembra o técnico.

Quando foi demitido, Fossati acabara de comandar o time na verdadeira batalha que foi o jogo contra o Estudiantes, em Quilmes. O Inter perdeu a partida, mas ficou com a vaga. "Foi o jogo mais emotivo de toda a campanha. O jeito que foi, o resultado, o gol do Giuliano no últimos minutos e em cima do último campeão da Libertadores. Aquele resultado mostrou que estávamos no caminho correto", relembra o treinador.

Fossati evita contatos com todos que ficaram no Beira-Rio, mas não descarta voltar ao Brasil. E pode ser mais cedo do que muitos imaginam. Nesses meses que passou na Arábia Saudita, ele já recebeu propostas do Boca Juniors e do Estudiantes, da Argentina. Do Brasil, também vieram sondagens: "Se me perguntar, ''gostaria de voltar?'', eu diria ''gostaria''. O trabalho no Inter foi exitoso", considera. "Nunca mais procurei os jogadores, nem aqueles que eu tinha amizade. Não quero atrapalhar o trabalho deles", revelou.

Quem é o Al-Shabab?

O Al-Shabab é um dos maiores clubes da Arábia Saudita. Mas, apesar da organização, da disponibilidade de recursos e dos títulos, tem pouca torcida. Seus jogos em Riad, normalmente, são acompanhados por mais torcedores adversários.
Foi cinco vezes campeão do Campeonato Saudita (1991, 1992, 1993, 2004 e 2006) e duas vezes campeão da Copa da Arábia (2008 e 2009). O clube foi fundado em 1947, em Riad, capital da Arábia Saudita. O destaque do time é o atacante - uruguaio como Fossati -, Juan Oliveira. O brasileiro Camacho, ex-Fluminense, está no grupo.


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