O futebol colorado é perdulário. Somente nos primeiros nove meses de 2013, consumiu mais de R$ 140 milhões com despesas ordinárias (como logística) e pagamento de salários. O valor - até setembro, ressalte-se - é maior do que o orçado até dezembro. O Inter previa investir R$ 135 milhões na sua atividade-fim ao longo dos 12 meses de 2013.
Nestes R$ 140 milhões não estão incluídos os gastos (ou investimentos, dependendo do ponto de vista de quem fala) com as contratações. E elas também foram onerosas. Somente com as vindas de Alex e de Scocco, os dois principais reforços para o segundo semestre, o Inter teve de retirar R$ 37 milhões dos cofres, sem contar os salários de ambos.
"Os outros departamentos do clube estão controlados, trabalham com responsabilidade e dentro do orçamento. Eles funcionam como um reloginho. Mas o futebol é um descontrole total", confirma um conselheiro que prefere não se identificar.
O excesso de gastos no futebol, sem um rendimento compatível dentro do campo, deve acarretar um déficit histórico no final do ano. Segundo os prognósticos da própria administração, o Inter encerrará a temporada com cerca de R$ 35 a 40 milhões de déficit, conforme o CP adiantou em sua edição de ontem.
Convocação de reunião
A crise motivou um grupo de conselheiros ligados ao Convergência Colorada a recolher assinaturas e pedir ao presidente do Conselho Deliberativo, Ibsen Pinheiro, a convocação de uma reunião com o objetivo único de debater o assunto. O encontro deve ocorrer em novembro.
Os salários do grupo de jogadores estão em dia, mas graças a uma ginástica grande dos dirigentes. Para quitar débitos urgentes, o clube já buscou empréstimos bancários em mais de uma oportunidade. Os valores do patrocínio do Banrisul, cujo contrato foi assinado em agosto e rende R$ 15 milhões ao ano, também já foram, em parte, antecipados.