"É natural que a demissão para mim seja uma surpresa", enfatizou. "Em nenhum momento percebi uma movimentação que culminasse com uma alteração", relatou Dorival. "Sei que o comportamento da torcida não era o que nós gostaríamos, mas outros times tiveram esse tipo de problema, até o Corinthians teve um período conturbado", justificou-se. "Eu não tinha dúvidas de que, quando tivéssemos alguns jogadores importantes, com outra condição, mais a garotada que dava conta do recado, teríamos um resultado melhor", ponderou.
Dorival lembrou dos inúmeros desfalques que enfrentou desde o começo do ano e que, segundo ele, impediram até mesmo uma melhor campanha na Libertadores. "Infelizmente, este ano foi difícil neste sentido. Com muitos desfalques e longo tempo para a volta. Além das ausências normais por lesão, tinham dois jogadores que ficavam de fora por outros compromissos e dificilmente consegui repetir escalações", argumentou.
O técnico salientou as conquistas do Colorado sob seu comando. "Encerramos um ciclo aqui com apenas 13 derrotas e, por aquilo que me foi passado desde a chegada cumpri alguns objetivos, como a vaga na Libertadores, a Recopa e o título gaúcho", frisou. "Foi a execução de um trabalho que imaginava que fosse até o fim do ano. Infelizmente paramos antes", ponderou Dorival.
Apesar da saída contra sua vontade, Dorival destacou a convivência com os profissionais do Inter, principalmente o grupo de atletas. "Por tudo que tem acontecido dentro do Beira-Rio, quero destacar a lealdade de alguns companheiros de caminhada e principalmente dos jogadores. É um grupo especial e diferenciado", comentou o treinador. "Sempre saliento que, quando estiver completo, será um grupo na briga direta pelo título do Brasileiro", acrescentou.
"Tive um ou outro problema com algum profissional, mas sempre tratei eles com muita lealdade e profissionalismo. Não havia nada que atrapalhasse o dia a dia", sublinhou Dorival. Ele fez elogios particulares a outros dois atletas de grande liderança no grupo. "D'Alessandro é um grande profissional, uma pessoa muito séria e compenetrada. Me surpreenderam a sua postura e a do Guiñazu. São pessoas que sempre confiarei e saio daqui admirando pelo comportamento."
Sobre a colocação de Fernandão, a quem até então respondia como dirigente do futebol, Dorival não quis comentar, mas reconheceu qualidades no ídolo colorado. "Prefiro não falar nada sobre a demissão para posteriormente ele assumir o cargo. Na minha vida e na minha carreira esperava terminar o trabalho que iniciei. Acharam por bem uma alteração e respeito sobremaneira", analisou. "O Fernando tem qualidades, capacidades suficientes para ser um grande treinador, não acho que precise deixar alguma recomendação", definiu.