A derrota por 3 a 2 para o Santos, neste domingo, fez a revolta da torcida colorada explodir no Beira-Rio. Os protestos, que já haviam ocorrido durante a partida, aumentaram após o apito final e tiveram como principais alvos os jogadores e o presidente Alessandro Barcellos. O resultado manteve o Inter na zona de rebaixamento e ampliou para dez rodadas a sequência sem vitórias no Brasileirão.
Depois do jogo, um grupo de torcedores se concentrou no pátio do estádio e pediu, aos gritos, a renúncia de Barcellos. A saída do presidente, no entanto, não está nos planos da direção. Antes disso, a torcida Popular deixou as arquibancadas ainda durante a partida. No intervalo, integrantes recolheram instrumentos e faixas e abandonaram o Beira-Rio.
Após a partida, houve confrontos entre torcedores e policiais em pelo menos três pontos do complexo do Beira-Rio. Houve ainda uma tentativa de invasão da área onde funciona a zona mista, por onde passam os jogadores e integrantes das comissões após as partidas, além de uma tentativa de acesso ao estacionamento utilizado pelos atletas para deixar o estádio.
Ninguém foi detido e, segundo as informações divulgadas pelo Batalhão de Choque, não foram registrados feridos durante os protestos. Além das confusões durante os protestos, um torcedor do Santos foi agredido durante o segundo tempo nas arquibancadas do estádio e precisou ser levado ao hospital.
A pressão sobre o Inter aumenta justamente no momento em que a equipe precisa reagir no Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso será no sábado à tarde, contra a Chapecoense, na Arena Condá.
Confusão na saída do jogo
A tensão aumentou após o apito final e provocou confrontos entre torcedores e policiais em diferentes pontos do complexo. O primeiro confronto aconteceu, segundo o Batalhão de Choque, quando cerca de 50 torcedores que estavam no segundo andar do edifício-garagem, na área de acesso à passarela, teriam agredido seguranças e stewards e tentado arremessar grades contra os funcionários.
Logo depois, na parte de baixo, entre as estátuas de Abel e Fernandão e a entrada do edifício-garagem, outro grupo, menor, protestava aos gritos de "tem que ter raça para jogar no Beira-Rio". Um dos torcedores lançou um rojão em direção à Brigada Militar montada que estava no local.
Diante da situação, o Batalhão de Choque avançou e utilizou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar os envolvidos. O gás lacrimogêneo chegou no outro lado da Avenida Padre Cacique onde torcedores que haviam se afastado e observaram a confusão.
Agentes de segurança também orientaram torcedores que não tinham relação com os protestos, incluindo famílias com crianças, a deixarem o local. Conforme o relato da corporação, os manifestantes estariam arremessando pedras em direção às tropas.
No portão 1, onde fica a parede envidraçada do estádio, outra tropa da Brigada Militar também teria sido atacada por torcedores. Segundo o Batalhão de Choque, o pelotão também teria sido alvo de rojões.
Segundo um agente da Polícia Judicial que atua no Juizado do Torcedor, não houve informação repassada à unidade sobre outras ocorrências, nem o caso de funcionários do Inter que teriam sido agredidos por torcedores no edifício-garagem durante os protestos.