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Traição, presença recorde e nervosismo: os bastidores da derrota do projeto das debêntures

Plano elaborado pela gestão colorada para enfrentamento das dívidas do clube foi rejeitado pelos conselheiros por apenas dois votos na noite de segunda-feira

Movimento intenso dos conselheiros começou no início da noite
Movimento intenso dos conselheiros começou no início da noite Foto : FABRÍCIO FALKOWSKI / CP

A noite já avançara. Eram mais de 22h30min quando, no segundo andar do estádio colorado, no auditório que recebe as reuniões do Conselho Deliberativo, explodiu uma comemoração como se o Inter tivesse feito um gol. Logo após os gritos, ouviu-se: "O Beira-Rio é nosso, o Beira-Rio é nosso!". O projeto das debêntures, gestado pela gestão para ajudar a enfrentar o endividamento colorado, estava derrotado com 161 votos contrários e 159 favoráveis. Ou seja, com apenas dois votos de diferença e presença recorde de conselheiros.

Porém, as duas horas e meia anteriores haviam sido de tensão e intensa articulação de ambos os lados para arregimentar os votos derradeiros. No pátio do estádio, conselheiros mais experientes observavam quem chegava na fila e contabilizavam os votos para um ou outro lado. Momentos antes de ser divulgado o resultado, tanto a gestão como a oposição afirmaram que tinham votos suficientes, mas por mínima margem de vantagem. A cada conselheiro retardatário que chegava, inclusive após o início da reunião, era feita uma nova contagem.

Além disso, um conselheiro presente não conseguiu votar por algum motivo (a votação foi por meio digital, mas a presença precisava ser registrada na recepção). Seu nome foi chamado pela mesa para que exercesse o direito ao voto mais de uma vez. Em vão. Em tese, seria um apoio a mais a favor do projeto das debêntures.

Para completar, os movimentos ligados ao presidente Alessandro Barcellos também contabilizaram um conselheiro que, apesar de ter sido eleito pelos movimentos que fazem parte da base política da gestão, votou contrário ao projeto. Ou seja, um "traidor". Seu nome correu na boca dos líderes dos movimentos e nos grupos de Whatsapp. Com mais esses dois votos, as debêntures teriam sido aprovadas.

E, claro, não faltou bate-boca. Durante a fala dos conselheiros, que se revezavam na tribuna intercalando quem era contra e a favor do projeto, o microfone falhou justamente quando o conselheiro Roberto Melo, que foi candidato à presidência do clube na última eleição e acabou derrotado por Alessandro Barcellos, falava dos débitos não quitados pela gestão até aquele momento. Ele provocou: "Acho que não pagaram o técnico de som também...". Houve vaias e aplausos.

Em seguida, quando passou em frente à mesa diretora, onde Alessandro Barcellos estava sentado, ouviu a resposta: "Ainda estou pagando o Nico López!!". Melo retrucou: "E não chega nem na final do Gauchão".

Ou seja, a noite foi marcada por tensão, provocação, decepção (para uns) e alegria (para outros. Enfim, o projeto das debêntures está derrotado, assim como a articulação do Conselho de Gestão, deixando os dirigentes colorados sob pressão. Outras soluções devem ser buscadas.

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