A passagem de Jorge Fossati pelo Inter chegou ao fim nesta sexta-feira. Depois de quase seis meses de trabalho, o técnico uruguaio deixou o comando da equipe devido aos maus resultados no Brasileirão e, especialmente, pelas atuações deficientes durante a temporada. A virada sofrida para o Vasco, na quinta-feira, acelerou a demissão.
Apesar dos bons resultados na Libertadores, a trajetória do uruguaio e sua comissão técnica foi marcada por esquemas táticos confusos, apresentações modestas, dificuldade de comunicação com os jogadores e o encerramento repentino de entrevistas coletivas.
Contratado em dezembro do ano passado, Jorge Fossati desembarcou em Porto Alegre credenciado por títulos no futebol sul-americano. Para quem esperava Muricy Ramalho ou Vanderlei Luxemburgo, foi uma surpresa. À frente da LDU, Fossati tinha superado o Inter na disputa pelo título da Recopa Sul-Americana, ainda em 2009. As duas vitórias – por 1 a 0 no Beira-Rio e 3 a 0 no Equador – chamaram a atenção.
Fossati esteve na casamata em 33 oportunidades, entre Gauchão, Libertadores e o Brasileirão. Acumulou 19 vitórias, cinco empates e nove derrotas. Sua estreia aconteceu na quarta rodada da Taça Fernando Carvalho. A vitória sobre o Juventude aconteceu em grande estilo: 5 a 0 e boa atuação.
No entanto, esta foi a única apresentação convincente no ano. Nem o triunfo no primeiro Gre-Nal foi fruto de boa atuação, ainda que representasse tranquilidade para início do trabalho.
Confiança abalada e a quase demissão
Em fevereiro, os resultados vieram. O Inter fez a melhor campanha do primeiro turno do Gauchão. Só perdeu a liderança geral para o Grêmio na última semana. Entretanto, as atuações nunca deixaram os colorados tranquilos, como na vitória sobre o Emelec na estreia da Libertadores. Diante de um adversário frágil, com o Beira-Rio lotado, o triunfo só veio no final, de virada. A derrota para o Novo Hamburgo, nas semifinais da Taça Fernando Carvalho, com os reservas, abalou a confiança em Fossati.
Março chegou. Cinco empates em sequência, sendo dois pela Libertadores, resultaram em uma crise que poderia ter atingido seu apogeu após a goleada diante do São José, no Passo D'Areia. Fossati quase caiu. A direção lhe deu um voto de confiança, até o jogo contra o Cerro do Uruguai. A vitória concedeu crédito e a oportunidade de seguir adiante, vencer Universidade, Novo Hamburgo e chegar à final da Taça Fábio Koff.
A pressão nunca deixou de acompanhar Jorge Fossati. Mesmo depois da conquista do segundo turno do Gauchão, o ex-técnico do Inter admitiu que não saberia até quando suportaria as críticas. Torcedores reclamavam de Alecsandro no time, e a imprensa questionava o esquema com três zagueiros.
Fossati ganha fôlego com classificação na Libertadores
Mesmo classificado para as finais do Gauchão, a prioridade era Libertadores. Jorge Fossati e seus comandados ganharam do Deportivo Quito com uma goleada e obtiveram classificação para as oitavas de final. O próximo adversário seria o Banfield. Mas antes seria preciso encarar os Gre-Nais. O resultado adverso no primeiro clássico no Beira-Rio trouxe novamente a sombra da demissão para o uruguaio. Na sequência, a derrota por uma boa diferença para o Banfield, durante o jogo de estreia nas oitavas de final da Libertadores, foi protegida pelos erros de arbitragem do compatriota de Fossati, Jorge Larrionda.
A recuperação veio de forma surpreendente. A vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio, ainda que insuficiente para conquistar o Gauchão, deu moral aos jogadores. Na etapa complementar, Fossati recuou a equipe e se conformou com o resultado de vice-campeão. No Beira-Rio, frente ao Banfield, o Inter construiu a diferença de dois gols necessária para a classificação às quartas de final.
Estudiantes e a passagem heroica
O término do campeonato regional deu mais tranquilidade para Jorge Fossati. O time se encaminhava para mais um jogo importante de Libertadores. O inimigo, já conhecido, era o Estudiantes de Verón, então postulante ao título do Campeonato Argentino. O duelo seria decidido no detalhe.
Na primeira partida, o Inter ganhou do time argentino com um gol de Sorondo aos 43 minutos da etapa complementar. A alegria tomou conta dos torcedores, que esqueciam – temporariamente – os erros de Fossati. O segundo jogo, em Quilmes, veio apenas para confirmar a situação. Depois de não agredir o Estudiantes na primeira etapa, o Inter voltou para o vestiário com a vantagem de 1 a 0 desmanchada por dois gols em menos de cinco minutos. Ali, dirigentes já resmungavam sobre a metodologia do técnico uruguaio.
O segundo tempo começou e o Inter manteve postura idêntica. Giuliano entrou e, aos 43 minutos, deu uma nova chance para Fossati. O gol fez com que a diretoria pensasse que estava no caminho certo na Libertadores.
Começa o Brasileiro e Fossati vai ao departamento pessoal
A classificação à semifinal da Libertadores não foi suficiente para segurar o técnico. A derrota em casa para o Cruzeiro acendeu a luz amarela para o técnico. Após o insucesso, Fossati quis partir para a briga com um jornalista após a entrevista coletiva. A vitória frente ao Goiás, fora dos seus domínios, colocou panos quentes na situação, mas não foi suficiente.
O último revés em casa, contra o São Paulo, questionou a qualidade do comando de Jorge Fossati. Mesmo com os titulares, o Inter não teve capacidade de vencer. Mal sabia o uruguaio que esta seria a última vez que ele iria dirigir a equipe no Beira-Rio.
Na partida contra o Vasco, o Inter abriu dois gols de vantagem no primeiro tempo. Na sequência do jogo, o time carioca descontou no começo do segundo tempo. O azar apareceu, e Héber Roberto Lopes deu um pênalti que não existiu. O Vasco empatou.
A expulsão de Fabiano Eller já tinha fragilizado o Inter, que naquele instante só se defendia de forma confusa e nem levava perigo ao gol do Vasco. Apesar de Fossati querer recompor o esquema de três zagueiros, o time de Celso Roth conseguiu a virada através de Nilton. Ali, em São Januário, os jogadores colorados ouviram os últimos gritos e orientações de Jorge Fossati.
Trajetória de Fossati foi marcada por altos e baixos
Técnico foi demitido nesta quinta-feira, pouco mais de seis meses depois de sua chegada