Para quem viu a neve pela primeira vez aos 18 anos, depois de surfar em todas as praias do Rio de Janeiro, a carioca Isabel Clark Ribeiro poderia ser considerada a pessoa menos provável para conquistar uma medalha no snowboard dos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver 2010.
Mas é justamente nisso que a atleta de 33 anos vê sua vantagem, pois o fato de não estar no centro das atenções da mídia permite que possa estudar cuidadosamente a estratégia de suas adversárias.
Isso é importante no snowboard cross, a disciplina mais complexa desse esporte, que é disputado pela segunda vez numa olimpíada depois de Turim-2006.
E com essa tática ela foi longe em menos de uma década no circuito. Tanto que, em Vancouver, muita gente acredita que tem possibilidades de conseguir a primeira medalha do Brasil nos esportes de inverno.
"Seria um sonho lindo ", afirma Isabel, durante o intervalo dos treinos na montanha Cypress, sede do snowboard.
A carioca recorda como foi seu primeiro contato com a neve e o snowboard, quando, em 1994, foi visitar seu irmão que morava na Califórnia.
"Eu tinha 18 anos e junto com ele e outros amigos fomos a Big Bear (cadeia montanhosa do sul da Califórnia), onde me ensinaram a ficar em cima da prancha. Foi muito divertido e, desde então, me apaixonei pelo esporte. Tenho outras três irmãs e todas praticam snowboard ".
Há quatro anos, em Turim, Isabel era uma perfeita desconhecida no mundo desse esporte, mas mesmo assim conseguiu se classificar em nono entre as 23 competidoras, a maioria com mais experiência do que ela nessa modalidade.
Agora, com 33 anos e 75 corridas na Copa do Mundo depois de debutar no circuito em 2000, a atleta sente que o pódio não está tão distante quanto estava em Turim.
"Eu me preparei muito e tenho a experiência dos Jogos Olímpicos e toda uma temporada completa no circuito mundial", indicou.
Sete vezes campeã do Brasil, cinco vezes sul-americanas e uma participação olímpica que a converteu na única atleta latina a participar numa competição ecumênica de inverno, Isabel Clark é mais conhecida em seu próprio país por ter carregado a bandeira brasileira nos Jogos Olímpicos de verão por suas conquistas esportivas.
"Quando voltei ao Brasil depois dos Jogos de Turim, me dei conta que muita gente em meu país me conhecia só por ter carregado a bandeira da delegação, mas não sabia nada sobre o que eu já havia conseguido".
Ser a única competidora brasileira em Vancouver é um desafio para Isabel. "Um handicap que me faz superar a mim mesma", segundo explica.
"Mas ser a única na equipe não é um problema porque não tem ninguém com quem ser comparada", brinca.
"É difícil para meu progresso pessoal porque ninguém está me forçando para tirar o posto. Mas, mesmo assim, me acostumei com isso e sempre tenho meu técnico ao meu lado (Iván Fuenzalida Sáez), e ele me apóia e viaja comigo", acrescentou.
Isabel Clark Ribeiro começa sua participação no torneio de snowboard cross na terça-feira, quando forem realizadas as classificações no Parque Cypress, oeste de Vancouver.
Isabel Clark espera grandes consquistas no snowboard em Vancouver
Brasileira começa sua participação no torneio de snowboard cross na terça-feira