“É como se Lionel Messi e Cristiano Ronaldo jogassem futebol juntos, diante dos nossos olhos”, emocionava-se ao microfone Airton Barnasque, narrador do Jockey Club do Rio Grande do Sul há quase duas décadas. Este era o sentimento dos amantes do turfe, emocionados ao verem de perto os dois maiores jóqueis do mundo em número de vitórias. Para completar a festa, o brasileiro Jorge Ricardo venceu o Desafio dos Campeões contra o americano Russell Baze por diferença de um ponto, no quinto e último páreo.
A rivalidade entre Ricardo e Baze é de longa data, porém a primeira disputa direta entre os dois se deu nesta quinta-feira, no Hipódromo do Cristal. Lendas do esporte, eles se alternam nas marcas históricas há anos: o primeiro a vencer 10 mil páreos na carreira, depois 11 mil, depois 12 mil... “Vou correr enquanto meu corpo permitir”, diz o brasileiro de 52 anos. “Vocês viram que rival duro eu tenho. Tem 56 anos, mas parece ter 40”.
Depois de quatro provas, Ricardo tinha três segundos lugares e um terceiro. Precisava chegar em primeiro e que Baze terminasse no máximo em quarto. Foi exatamente o que aconteceu, para delírio do público. Com duas vitórias, um terceiro e dois quartos lugares, o americano acabou com 36 pontos, contra 37. “Acho que o empate seria mais justo. Mas estou feliz demais por brindar o povo de Porto Alegre com esta vitória”, comemorou Ricardo, agora dono de 12.268 triunfos, contra 12.368 do adversário.
Na premiação, o carioca radicado em Buenos Aires chorou ao dedicar o título ao pai, o falecido jóquei catarinense Antônio Ricardo: “É muito bom ganhar onde ele ganhou tudo, tanto aqui no Cristal quanto no Moinhos de Vento, na terra onde ele começou e me ensinou tudo o que sei”.
Foi o ápice de uma noite que seria história independentemente do resultado. Eufórico, o presidente do Jockey Club do Rio Grande do Sul, José Vecchio Filho, celebrava: “Nunca aconteceu nada parecido. Fazer aqui no Cristal o que ninguém havia feito no mundo é uma loucura. É uma prova de que o turfe brasileiro ainda tem algum prestígio. Estou muito satisfeito. Poderia morrer amanhã”.