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Julgamento pela morte de Maradona é anulado após dois meses de debates e 40 depoimentos

Decisão vem logo após afastamento da juíza que comandava o caso

Dalma e Gianinna, filhas de Maradona, participaram do processo
Dalma e Gianinna, filhas de Maradona, participaram do processo Foto : TOMAS CUESTA / AFP / CP

A Justiça argentina anulou, nesta quinta-feira, o julgamento de sete acusados de homicídio do astro do futebol Diego Maradona, que deverá ser reiniciado em um novo tribunal após o impedimento de uma das juízas por participar de um documentário não autorizado sobre o processo.

A decisão anula o conteúdo de 20 audiências realizadas desde 11 de março, nas quais mais de 40 testemunhas depuseram, provas foram apresentadas e as três filhas de Maradona testemunharam. O novo julgamento ainda não tem data de início, já que depende da designação de um novo tribunal, que será feita por sorteio.

Sem prazo para novo julgamento

'Ouvidas todas as partes, é anunciada a decisão do tribunal, que é a nulidade do julgamento', disse o magistrado Maximiliano Savarino no tribunal de San Isidro, perto de Buenos Aires, onde o processo era julgado. A anulação havia sido pedida pela Promotoria, pelos denunciantes e pela maioria dos advogados de defesa, depois que veio à tona que a juíza Julieta Makintach estava participando da filmagem de uma série documental sobre o caso, sem autorização das partes.

'Não há prazos estabelecidos' para reiniciar o processo, afirmou à AFP Félix Linfante, advogado de uma das filhas do ídolo. 'Antes do fim do ano poderíamos estar começando o julgamento e esse é meu desejo', acrescentou. Sua cliente, Jana Maradona, disse aos jornalistas em frente ao tribunal: 'Não estou tranquila. Tenho raiva, eu os odeio'.

Para Vadim Mischanchuk, defensor da psiquiatra Agustina Cosachov, ré no caso, 'não havia outra opção além da nulidade do julgamento', segundo disse à AFP no final da audiência.

Craque morreu em 2020

Maradona morreu em 25 de novembro de 2020 devido a um edema pulmonar enquanto se recuperava em internação domiciliar de uma cirurgia neurológica. Sete profissionais de saúde estão acusados de homicídio com dolo eventual por sua morte e podem receber penas de oito a 25 anos de prisão.

A juíza Makintach foi afastada do caso na terça-feira, após um escândalo provocado por sua participação na série documental parcialmente gravada no tribunal de San Isidro, 30 quilômetros ao norte de Buenos Aires, onde ocorria o julgamento. As imagens e os roteiros da série foram exibidos em uma audiência na terça-feira e a juíza renunciou imediatamente.

Trailer de documentário foi exibido

As filhas do astro estavam presentes na sala. Um trailer do documentário, que se intitulava 'Justiça divina', vazou. As imagens mostravam Makintach chegando à sala do tribunal. Antes do escândalo explodir, o julgamento se desenrolava com duas audiências por semana e a previsão era de que se estenderia até julho.

'A única pessoa responsável por tudo isso é a juíza afastada', destacou Savarino. 'Houve uma pessoa que errou e pagou, mas não é a Justiça, a Justiça não se mancha', disse por sua vez a juíza Di Tomasso, parafraseando a célebre frase de Maradona 'a bola não se mancha'.

A Suprema Corte da província de Buenos Aires afastou a juíza após o escândalo e o caso foi encaminhado a uma comissão de Disciplina do Poder Judiciário.

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