O juiz cautelar Nº 3, Julio Huarachi, expediu a resolução para dar liberdade aos cinco torcedores brasileiros restantes de um grupo original de 12 que eram mantidos em prisão preventiva desde fevereiro em uma penitenciária de Oruro, 240 quilômetros ao Sul de La Paz. "A liberdade pura e simples se deve à libertação solicitada pela própria promotoria por falta de provas", disse por telefone uma fonte que pediu para não ser identificada.
Outros sete torcedores também foram acusados pelo mesmo fato, mas foram soltos no início de junho por falta de provas de sua participação na morte do jovem torcedor boliviano. O governo brasileiro celebrou a decisão, em nota divulgada pelo Itamaraty.
"O governo brasileiro recebe com satisfação a decisão da Justiça boliviana de libertar os últimos cinco brasileiros que estavam presos em Oruro", afirma a nota. O Ministério das Relações Exteriores lembrou que, anteriormente, "a presidente Dilma Rousseff manifestou ao presidente Evo Morales sua preocupação com os detidos".
Liberdade adiada
A libertação dos cinco brasileiros, que deveria ser efetuada no início da semana, tinha sido adiada por trâmites processuais, devido a uma apelação da família de Kevin Beltrán, o jovem torcedor morto por um sinalizador no rosto durante a partida entre Corinthians e San José na Taça Libertadores 2013.
Na semana passada, o procurador do caso havia informado que as provas não eram suficientes para condenar os brasileiros pelo crime de homicídio. A libertação será concretizada, provavelmente, ainda nesta sexta depois que o juiz entregar uma resolução nesse sentido. "Nós os repatriaremos assim que pudermos", explicou uma fonte da embaixada do Brasil.
Após o incidente, ocorrido em 20 de fevereiro, um jovem de 17 anos, que estava na Bolívia no dia do jogo, revelou no Brasil que ele tinha sido o autor do disparo que atingiu a cabeça de Kevin. Ele não foi detido por não existir um processo no Brasil, embora o promotor boliviano, Rubén Arciénega, tenha dito que manterá o processo legal contra ele, sem indicar quais trâmites diplomáticos utilizará para convocá-lo ou processá-lo na nação andina.