Dezenas de pessoas, entre eles dirigentes do futebol da Itália e os argentinos Hernán Crespo, atual técnico do Modena, e Ezequiel Lavezzi, jogador do Paris Saint-Germain, estão sendo investigados na Itália por possível fraude fiscal, anunciou nesta terça-feira a promotoria de Nápoles.
Outros dois jogadores argentinos também estariam sendo investigados, o ex-atacante da Inter de Milão Diego Milito e o atacante do Atalanta Germán Denis. Segundo comunicado do promotor adjunto de Nápoles, Vincenzo Piscitelli, a investigação da polícia financeira, batizada de "Fuorigioco" (Impedimento, em italiano), revelou "um amplo sistema destinado a fraudar a Receita, evitando o pagamento de impostos".
No total, 35 clubes da Serie A e da Serie B, assim como uma centena de pessoas, "entre elas jogadores e empresários", estariam envolvidos, afirmou a promotoria. "Foram confiscados ativos no valor de 12 milhões de euros", continuou.
O sistema foi "montado de maneira sistemática para retirar dos cofres do Estado italiano os benefícios dos impostos" relacionados à transferência de jogadores. Os empresários dos jogadores são suspeitos de terem fornecido notas falsas por seus serviços aos clubes. Estes mesmos empresários, vários deles argentinos, utilizavam também contas bancárias de "empresas de fachada" sediadas em paraísos fiscais, num complexo jogo financeiro entre Itália, país de saída do dinheiro, e Argentina, residência fiscal das empresas.
O ex-jogador Hernán Crespo, de 40 anos, jogou a maior parte da carreira na Itália. Revelado pelo River Plate, Crespo se transferiu em 1996 para o Parma e, em seguida, defendeu Lazio, Inter de Milão, Milan e Genoa. Começou a carreira de técnico no ano passado no Modena, da segunda divisão italiana.
Já Lavezzi, desde 2012 no Paris Saint-Germain, da França, defendeu o Napoli de 2007 a 2012. Pela transferência da Itália para a França, o clube francês também estaria sendo investigado por irregularidades. Outros nomes importantes do futebol italiano aparecem na lista de supostos envolvidos em fraude fiscal, como Aurelio De Laurentiis e Claudio Lotito, presidentes de Napoli e Lazio, respectivamente, além de Adriano Galliani, vice-presidente do Milan, segundo o jornal La Gazzetta.
Lavezzi e Crespo são investigados por fraude fiscal na Itália
Apuração da promotoria de Nápoles envolve dirigentes de futebol do país