Esportes

"Lei não tem nada a ver com o atraso da partida", diz vereador

Nelcir Tessaro é o autor do projeto que determina a execução de hinos nos estádios

Nelcir Tessaro é o autor do projeto que determina a execução de hinos nos estádios
Nelcir Tessaro é o autor do projeto que determina a execução de hinos nos estádios Foto : Pedro Revillion / CP Memória
O autor do projeto de lei que determina a execução dos hinos brasileiro e rio-grandense antes do início de eventos esportivos nacionais e internacionais, vereador Nelcir Tessaro, defende a manutenção da normativa e rebate a declaração do presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGV), Francisco Novelleto, que chamou o projeto de absurdo. "Essa é uma opinião dele. A lei não tem nada a ver com o atraso da partida. Acho que se o presidente da FGF cuidasse das entradas dos times em campo, isso (a execução dos hinos) não causaria nenhum", disse nesta quarta-feira, em entrevista ao site do Correio do Povo.

O projeto de Tessaro pode acarretar multa de até R$ 100 mil à FGF. Isso porque a entidade foi denunciada no artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (deixar de cumprir ou dificultar o cumprimento de regulamento, geral ou especial, de competição), em função do atraso de cinco minutos no jogo entre Inter x Atlético-MG, em 10 de agosto, pelo Brasileirão. Na avaliação do parlamentar, a execução dos hinos, que dura 90 segundos, não causa prejuízo ao espetáculo. "Paraná e São Paulo utilizam do mesmo expediente. Além disso, a execução dos hinos é uma forma de nós fazermos com que as pessoas ajam com poder cívico e que tenham a oportunidade de conhecer os seus hinos. Quando ocorre o canto rio-grandense nos nossos estádios, a torcida se levanta e vibra. Isso é um sinal de patriotismo e é muito importante", considera.

Sobre a empolgação do povo gaúcho com o hino rio-grandense e o desdém com o canto nacional, Nelcir Tessaro argumenta que isso é uma atitude normal. "Isso é da natureza do nosso Estado. O nosso cidadão tem no seu coração a emoção de ouvir o hino gaúcho, mas, para mim, não há desmerecimento em relação a outro canto", explica. A respeito da ideia de que o ato deva ocorrer apenas em jogos especiais, Tessaro afirma que todas as partidas são importantes. "O Grêmio toca o hino do nosso Estado durante o Campeonato Gaúcho. Dessa forma, não há banalização. Na minha opinião, banalizar é colocar um festival de 'chacretes' no fundo dos estádios", ponderou.

Com ou sem canto determinado por lei antes do apito inicial, o procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça (STJD), Paulo Schmidt, foi enfático: “Quer tocar o hino, toque antes. O jogo tem que começar no horário."

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