Vanderlei Luxemburgo chegou ao Cruzeiro na manhã desta quarta-feira, data do jogo contra o Flamengo, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. E em pouco tempo mostrou que está à vontade. Sorriu, brincou, mas também falou sério. Questionado sobre o atual momento, o treinador demonstrou inquietação com o fato e pediu para que a imprensa analise tudo o que fez no decorrer de sua carreira.
"Não vou conseguir fazer com que os seus companheiros deixem de perguntar isso eternamente. Gostaria que você perguntasse ao Alex Ferguson por que ele ganhou só dois títulos da Champions em 30 anos de Manchester United. Eu não deixei de ser bom profissional, só que os resultados não apareceram. Se você pegar a minha trajetória, eu coloquei quase todos os clubes na Libertadores nos últimos anos. Vão perguntar o que você é momentaneamente e não a sua capacidade profissional ao longo da sua carreira"m declarou.
O novo comandante explica por que deseja que a avaliação sobre a sua carreira seja feita conforme o que apresentou desde o seu início. Segundo ele, aos 63 anos, alcançou mais sabedoria para trabalhar no futebol
"Mais experiência. Muitas decisões que tomei eu tomaria de maneira diferente. A idade te traz experiência. Você pode ser recém-formado em direito, jornalismo. Você pode estar capacitado, mas não tem a experiência. Isso te ajuda a tomar decisões mais sábias", comentou.
Confira alguns trechos da coletiva de Luxemburgo:
Como qualifica o grupo
"Não dá para dizer: ‘vou começar semana que vem’. Estou no jogo hoje, é o meio do futebol. Assisti aos jogos entre Corinthians e Palmeiras, Cruzeiro e Figueirense, Cruzeiro e River... Estou no meio do futebol. Vou começar a trabalhar hoje. Vamos tentar colocar uma situação muito importante, que acho que os jogadores vão ter que descobrir se eles estão satisfeitos pelo bicampeonato ou se têm alguma outra proposta para frente. É importante eles descobrirem o que eles querem. Essa é a conversa que teremos com ele constantemente".
Desafio no Cruzeiro
"Não gosto da palavra desafio, gosto da palavra possibilidade. O Cruzeiro me ofertou a possibilidade de ganhar campeonatos novamente. A questão é o ânimo, a motivação, o que você quer, o que você não quer. A primeira questão é: ‘o que estou fazendo aqui?’. Depois coletivo".
Alguma mudança
"Tem eu. Vamos ver, vou conversar com os jogadores, com a comissão técnica permanente do clube. A maior mudança tática que eu quero hoje é o comportamento, não a passividade. Não pode se acostumar com a posição que está".
Substituir o melhor do país
"Não é unanimidade no futebol. Na minha saída do Flamengo, os torcedores não queriam que eu saísse, eles foram bastante resistentes. O que vai fazer tudo isso mudar? Resultado. Resultado de jogo muda tudo. Essa discussão vai ser eterna no futebol".
Como foi 2003
"Foram momentos importantes. Primeiro foi o Campeonato Mineiro, que eu brincando com o Zezé Perrella, presidente da época, ele falava que era Rural. Aí eu falei que era melhor ganhar do que perder. A minha neta tinha um mês e ela foi para o estádio naquela época. E teve jogos maravilhosos. O jogo fantástico que ganhamos do Bahia lá. Tínhamos recordes, metas pessoais que poderiam ser batidos. Acho que foram bons momentos, memoráveis e que trago com muita alegria no Brasileirão".
Pressão
"Da mesma forma que você vai fazer uma entrevista com situação desconfortável. Se o Cruzeiro estivesse bem, não seria perguntado hoje. Estaria o Marcelo aqui sendo perguntado. São mudanças do futebol".
Flamengo
"Hoje eu sou Cruzeiro. O Flamengo já foi para mim, ficou para trás. Todo mundo sabe que sou rubro-negro, fiquei no clube por um planejamento que tínhamos, mas ficou para trás. Não tem porque eu ser questionado pelo Flamengo. Mas não dá para eu te falar o que explorar, os caras estão me vendo lá".
Mundo instável
"O mundo está instável, em todos os segmentos. Em cada país, em cada situação, em religião. Isso está no mundo, sem exceção. Não é só o futebol. O comportamento da população e do povo mundial está diferente do que era. Era um privilégio do Brasil e da América do Sul essa mudança de técnicos, hoje não é mais".
Reforços
"Eu vou voltar a um tema que é bastante conhecido meu: contratações são assuntos internos. Eu não posso cometer esse equivoco aqui. Eu tenho 63 anos de experiência. É uma análise mais para frente, vamos observar. Se for necessário, vamos atrás".
Manager
"Eu estou chegando ao clube neste momento. Quero colocar minha cabeça no jogo de logo mais. Depois vou ver o que vai ser feito para gente em conjunto com a diretoria. Vamos primeiro focar o Cruzeiro sair dali debaixo para depois buscar uma coisa boa. Eu sempre colaborei de uma certa maneira. Não existe por que não colaborar, sempre com anuência e aval do dirigente. Vocês não permitem que o técnico do Brasil tenha capacidade de ser gestor. Aqui no Brasil não é permitido ser manager. Vocês acham que técnico tem que se preocupar só com o campo. Acha que a gente quer roubar, quer participar disso, daquilo. Cheguei ao Cruzeiro para ser técnico e juntamente com os caras da diretoria colaborar bastante".
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