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Milhares fazem homenagens à Chapecoense na Arena Condá

Grupo pretende ficar acampado no entorno do estádio até chegada das vítimas do voo para Medellin

Grupo pretende ficar acampado no entorno do estádio até chegada das vítimas do voo para Medellin
Grupo pretende ficar acampado no entorno do estádio até chegada das vítimas do voo para Medellin Foto : Guilherme Testa
A cidade de Chapecó encerra o dia ainda atordoada e sofrida com a notícia da morte de 71 pessoas, entre elas 19 jogadores, na queda do avião que levava a Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana. Ao longo da noite desta terça-feira, mais de 10 mil pessoas estiveram na Arena Condá para prestar homenagens aos atletas, dirigentes e funcionários do clube.

O movimento de torcedores na Arena Condá começou logo após as primeiras informações sobre o acidente envolvendo a delegação. Ao amanhecer, dezenas rezaram em frente ao estádio torcendo por boas notícias, que não vieram. A confirmação do número de mortos veio acompanhada do aumento do movimento no estádio, que teve os portões abertos para as homenagens.

Emocionado, o neurocirurgião Jorge Ferrabone, 42 anos, expressou o sentimento que a população de Chapecó tem em relação ao clube, que vivia seu auge. “Esse time resumia a cidade. É uma cidade de médio porte, que girava em torno de um time familiar. O comércio vivia o time. Os profissionais liberais conviviam com os jogadores, que eram pessoas acessíveis. Eles, jogadores e dirigentes, eram muito próximos de toda a sociedade”, relatou Ferrabone, que há 14 anos vai ao estádio torcer para a Chapeceonse.

A esposa de Ferrabone, Flaviane Caler, destacou o engajamento dos jogadores do clube em questões comunitárias da cidade. “Eles sempre se envolveram. Sempre foram muito próximos de toda a população. Isso tudo gera uma grande dor, uma comoção em todos nós”, avaliou. O casal promete retornar à Arena Conta nesta quarta-feira para uma missa que irá ocorrer em homenagem às vítimas.

Sentimento semelhante demonstrou o bombeiro Vinicios Dellalibero, de 29 anos. Gaúcho, ele é morador de Chapecó e virou torcedor da Chapecoense. Ele conta com carinho o sentimento de paixão que via nos jogadores que vestiam a camisa do clube. “Para nós foi um choque. Ficamos sabendo logo pela manhã e não tem palavras que demonstram o que é isso para nós. Somos torcedores de carteirinha, já tínhamos programado a viagem para a final em Curitiba. O jeito agora é rezar para as famílias. Esse time era a representação da cidade. Sentíamos que os jogadores não estavam aqui só pelo dinheiro. Mostravam paixão e vontade de conquistar um titulo. Além do time, eles levavam o nome da cidade. O maior orgulho da cidade é a Chapecoense”, afirmou.



Grupo ficará acampado até chegada dos corpos

Após a série de homenagens da torcida às vítimas do acidente, os portões da Arena Condá foram fechados por volta das 22h, quando os últimos torcedores deixaram as arquibancadas. No lado de fora, no entanto, um grupo de seguidores do clube promete passar a madrugada acampado na frente da Arena Condá. Integrantes da Torcida Jovem, eles prometem que só irão sair do local após a chegada dos corpos.

Vamos acampar aqui e só sair quando os corpos chegarem. Esses jogadores merecem que nós façamos isso. Esse grupo representava tudo para nós”, disse Ronaldo da Silva, um dos diretores da torcida.