Esportes

Movimento contra os gramados sintéticos tem semelhanças com o Bom Senso FC

Quase uma década depois de histórica união de jogadores, alguns nomes voltam a se expor por uma causa no futebol

Dilma Rousseff recebeu  o Bom Senso FC em Brasília, em 2014
Dilma Rousseff recebeu o Bom Senso FC em Brasília, em 2014 Foto : Roberto Stuckert Filho / Divulgação Blog do Planalto / CP


A terça-feira pela manhã trouxe ao noticiário esportivo uma notícia surpreendente. Vários jogadores de diversos times do futebol brasileiro externaram contrariedade com um assunto polêmico desde que alguns clubes abriram mão de gramados naturais em seus estádios. Ainda sem nome, mas com a #nãoaogramadosintético a manifestação relembra um movimento histórico de 2013: O Bom Senso FC. Alguns aspectos unem as duas causas.

O primeiro deles é a representatividade de quem se lança na frente do pleito. Por ora, apenas grandes nomes se expuseram, o que doze anos atrás, custou um pouco a ser compreendido em um primeiro momento. Na década passada, as maiores lideranças do Bom Senso FC eram jogadores experientes, líderes nos times e com aceitação da torcida. Ou seja, com força na voz. No entanto, em maioria, eram também atletas na reta final de carreira como Dida, no Grêmio e Juan, no Inter ou Alex, no Coritiba.

Por mais que o movimento tenha ganho aceitação e apelo em manifestações públicas marcantes como os braços cruzadas antes do apito do juiz nos jogos, com o tempo, a mobilização deixou de ser a mesma. Pleitos como calendário do futebol, férias, período adequado de pré-temporada, fair-play financeiro eram mais sensíveis para jogadores que, ao encarar dirigentes interna ou externamente, de fato corriam riscos em carreiras longe de estabelecidas como a das lideranças do movimento. Em 2016 foi encerrado o CNPJ criado pelo grupo.

O Bom Censo FC chegou até Brasília gabinetes da presidência da república na época nas mãos de Dilma Rousseff. Receptividade parecida não tiveram no Rio de Janeiro, na CBF. Até mesmo ficar fora de uma convocação para a Seleção Brasileira era um assunto cinzento na época. Ou seja, jogadores que tinham muito a perder, preferiram não pegar ou então soltar a mão dos companheiros.

Algo parecido doze anos depois. No movimento de agora chama atenção que, pelo menos até o momento, nenhum jogador de Palmeiras, Atlético Mineiro, Athletico e Botafogo, clubes que têm gramados sintéticos, se posicionou a respeito. Seja a favor da #nãoaogramadosintético ou contrária a ela, o que sugere também um receio de tocar no assunto maior do que a importância de dele participar.

Por fim, um outro ponto em comum, senão ao envolvimento dos atletas, mas ao cenário de quem dirige o futebol brasileiro se repete. Se de 2013 para cá, seis presidentes ocuparam a cadeira principal da entidade, hoje quem está lá tem o prestígio sob suspeita. Ednaldo Rodrigues, atual mandatário, não foi preso, condenado, banido ou destituído do futebol, mas chegou ao cargo em meio a confusões jurídicas e lá permanece sob liminar da justiça.