• A procura por um camisa 10
• Blog Diálogos - Zico: “Não priorizam a qualidade técnica na formação de jogadores”
• Blog Diálogos - Alex: “Jogador precisa ter consciência da posição dele”
A luta diária é por encontrar um jogador que cumpra as funções de armação ofensivas, mas também ajude nas tarefas defensivas e coletivas. Além de ter que servir, criar, em espaço reduzido e em “frações de segundo”, como afirma o técnico do Inter B, Ricardo Cobalchini. Ele passou a trabalhar nas categorias de base do Juventude aos 17 anos e comandou o Caxias na Copa do Brasil, aos 25 anos, em 2011.
“O futebol ficou muito competitivo. Na década de 80, um jogador fazia seis, talvez, sete quilômetros. Hoje faz 12 ou 13. Você tem muita dobra de marcação. Muito choque. Antes o jogo era muito técnico. Hoje, além de técnico, ele é físico e tático. Além disso, o encurtamento e pressão na bola são muito maiores e o jogador tem milésimos, às vezes frações de segundo, para tomar uma decisão”, declarou Cobalchini.
A opinião compartilhada pelo técnico do grupo de transição do Grêmio, Felipe Endres. Com passagens pelo time B do South Melbourne, da Austrália, pela base do Caxias e do Porto Alegre, o profissional de 35 anos também foi auxiliar de Roger Machado no Juventude.
“O futebol está sofrendo uma mudança e determinadas posições, determinados tipos de jogadores, precisam também passar por essas mudanças. O 10 aquele que me lembro de ver jogar quando eu era bem pequeno, sabemos que está em falta. Por uma série de mudanças. O que tentamos é fazer com o que 10 seja responsável pela pifada. Pelo último passe. Por achar um passe que ninguém tem. Não apenas ele. Todos os jogadores do meio que ter essa qualidade, mas, em especial, o 10”, afirma Endres.
Escutando jovens da base, é possível sentir as mudanças acontecendo. “Temos muitas responsabilidades no meio. É preciso ter muita atenção ao que o treinador pede em termos ofensivos e defensivos. No jogo, tentamos ajudar nossos companheiros com um passe. Quando não dá, a gente tenta chegar junto para não prejudicar os companheiros”, alerta Yuri, do time sub-20 do Grêmio. “No estilo que está sendo jogado, acho que muitos querem se espelhar no Neymar. Todos jogam mais pelo lado ou como um atacante. Não tem mais aquele cara que "pifa", que faz a jogada de triangulação e aparece para concluir”, declarou o meia do sub-17 do São José, Mateus Pavan.
Entretanto, não só são as mudanças causadas pela evolução do futebol que interferem. “Entramos em um contexto social já que é uma função que necessita de 100% de cognitivo e hoje não temos mais estímulos. Nós tínhamos campos de futebol em todos os lugares. Hoje, com a especulação imobiliária, estão acabando os campos. Pais preferem colocar os filhos em ambientes fechados. Não tem mais aquela criatividade inerente. Tu não joga mais na rua. Tu não cria. O contexto retira esse tipo de jogador de campo”, afirma o técnico da sub-17 do São José, Rafael Porto Silveira.
Apesar das dificuldades, a procura por um substituto segue de forma constante. “Por conta da motivação e da questão da força física, muitas vezes se deixa de lado o menino mais franzino, inteligente e que tem qualidade técnica. Principalmente, por conta de resultado na base. Isso também prejudica bastante, mas aqui a gente faz um trabalho que busca esses talentos”, revelou o ex-volante e auxiliar técnico do júniores do Inter, Juca Antonello.
O perfil buscado é do camisa 10 “tradicional”, mas com as características do futebol contemporâneo. “Ele pode não participar tanto em alguns do momento. Pela questão de jogo, da velocidade, da intensidade, mas quando a bola cair no pé, ele tem que produzir uma ação diferenciada. Ele é fundamental para o futebol brasileiro”, afirmou o técnico da equipe sub-16 do Grêmio, César Lopes.
Ídolo da torcida do Inter nos anos 60 e 70 e atualmente observador técnico da base, Oldorelino Leal, o meia-esquerda Dorinho, concorda. “Nós também não oportunizamos o jogador técnico. Quando aparece, provavelmente, a gente coloca pelo lado do campo, o que nos traz a carência. Tanto que na Seleção Brasileira a gente não tem. Na base, a gente trabalha bastante. Chegam uns 30 garotos por semana e a gente não consegue esse camisa 10 tão esperado. Acho que a mudança foi muito grande e estamos em busca de achar esse equilíbrio entre o ontem e o hoje”, declarou Dorinho.
A luta diária é por encontrar um jogador que cumpra as funções de armação ofensivas, mas também ajude nas tarefas defensivas e coletivas. Além de ter que servir, criar, em espaço reduzido e em “frações de segundo”, como afirma o técnico do Inter B, Ricardo Cobalchini. Ele passou a trabalhar nas categorias de base do Juventude aos 17 anos e comandou o Caxias na Copa do Brasil, aos 25 anos, em 2011.
“O futebol ficou muito competitivo. Na década de 80, um jogador fazia seis, talvez, sete quilômetros. Hoje faz 12 ou 13. Você tem muita dobra de marcação. Muito choque. Antes o jogo era muito técnico. Hoje, além de técnico, ele é físico e tático. Além disso, o encurtamento e pressão na bola são muito maiores e o jogador tem milésimos, às vezes frações de segundo, para tomar uma decisão”, declarou Cobalchini.
A opinião compartilhada pelo técnico do grupo de transição do Grêmio, Felipe Endres. Com passagens pelo time B do South Melbourne, da Austrália, pela base do Caxias e do Porto Alegre, o profissional de 35 anos também foi auxiliar de Roger Machado no Juventude.
“O futebol está sofrendo uma mudança e determinadas posições, determinados tipos de jogadores, precisam também passar por essas mudanças. O 10 aquele que me lembro de ver jogar quando eu era bem pequeno, sabemos que está em falta. Por uma série de mudanças. O que tentamos é fazer com o que 10 seja responsável pela pifada. Pelo último passe. Por achar um passe que ninguém tem. Não apenas ele. Todos os jogadores do meio que ter essa qualidade, mas, em especial, o 10”, afirma Endres.
Escutando jovens da base, é possível sentir as mudanças acontecendo. “Temos muitas responsabilidades no meio. É preciso ter muita atenção ao que o treinador pede em termos ofensivos e defensivos. No jogo, tentamos ajudar nossos companheiros com um passe. Quando não dá, a gente tenta chegar junto para não prejudicar os companheiros”, alerta Yuri, do time sub-20 do Grêmio. “No estilo que está sendo jogado, acho que muitos querem se espelhar no Neymar. Todos jogam mais pelo lado ou como um atacante. Não tem mais aquele cara que "pifa", que faz a jogada de triangulação e aparece para concluir”, declarou o meia do sub-17 do São José, Mateus Pavan.
Entretanto, não só são as mudanças causadas pela evolução do futebol que interferem. “Entramos em um contexto social já que é uma função que necessita de 100% de cognitivo e hoje não temos mais estímulos. Nós tínhamos campos de futebol em todos os lugares. Hoje, com a especulação imobiliária, estão acabando os campos. Pais preferem colocar os filhos em ambientes fechados. Não tem mais aquela criatividade inerente. Tu não joga mais na rua. Tu não cria. O contexto retira esse tipo de jogador de campo”, afirma o técnico da sub-17 do São José, Rafael Porto Silveira.
Apesar das dificuldades, a procura por um substituto segue de forma constante. “Por conta da motivação e da questão da força física, muitas vezes se deixa de lado o menino mais franzino, inteligente e que tem qualidade técnica. Principalmente, por conta de resultado na base. Isso também prejudica bastante, mas aqui a gente faz um trabalho que busca esses talentos”, revelou o ex-volante e auxiliar técnico do júniores do Inter, Juca Antonello.
O perfil buscado é do camisa 10 “tradicional”, mas com as características do futebol contemporâneo. “Ele pode não participar tanto em alguns do momento. Pela questão de jogo, da velocidade, da intensidade, mas quando a bola cair no pé, ele tem que produzir uma ação diferenciada. Ele é fundamental para o futebol brasileiro”, afirmou o técnico da equipe sub-16 do Grêmio, César Lopes.
Ídolo da torcida do Inter nos anos 60 e 70 e atualmente observador técnico da base, Oldorelino Leal, o meia-esquerda Dorinho, concorda. “Nós também não oportunizamos o jogador técnico. Quando aparece, provavelmente, a gente coloca pelo lado do campo, o que nos traz a carência. Tanto que na Seleção Brasileira a gente não tem. Na base, a gente trabalha bastante. Chegam uns 30 garotos por semana e a gente não consegue esse camisa 10 tão esperado. Acho que a mudança foi muito grande e estamos em busca de achar esse equilíbrio entre o ontem e o hoje”, declarou Dorinho.