Multidão em velório de Maradona pode impactar pandemia na Argentina

Multidão em velório de Maradona pode impactar pandemia na Argentina

A expectativa é que 1 milhão de pessoas passem pela sede do governo argentino, onde corpo é velado

R7

Torcedores esperam em fila para ver de longe o corpo de Maradona

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Milhares de pessoas, muitas sem máscara, já se aglomeravam desde às 6h da manhã desta quinta-feira para acompanhar o velório de Diego Armando Maradona realizado na Casa Rosada, sede do governo na Argentina. O jogador de 60 anos morreu após uma parada cardiorrespiratória na quarta-feira.

A expectativa é que 1 milhão de pessoas passem pela sede do governo argentino para se despedir do ídolo, mas a imprensa argentina prevê nem todas as pessoas consigam entrar no local, já que a família de Maradona escolheu fazer um velório mais curto.

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Houve confusão e tumulto nas primeiras horas, mas os policiais conseguiram conter os fãs e agora o velório acontece tranquilamente. Os torcedores têm de passar rapidamente por onde está o corpo de Maradona e não podem ficar parados em frente ao caixão do craque.

De qualquer maneira, a multidão que se reúne para dar adeus à lenda do futebol pode impactar o cenário epidemiológico da Covid-19 por lá, segundo especialistas ouvidos pelo R7. "Entre 7 e 14 dias vai ter um grande aumento do número de casos. Então, na semana que se inicia depois da [próxima] segunda-feira teremos problemas. Pode e vai haver esse boom de casos", afirma Carlos Lazar, professor da disciplina de moléstias infecciosas na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

A Argentina está entre os 10 países com maior número de infecções pelo coronavírus. Com mais de 1,3 milhão de casos, ocupa a nona posição no mapa da Universidade Johns Hopkins. O infectologista Renato Kfouri, primeiro-secretário da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), também ressalta que aglomerações aumentam muito o risco de transmissão e, consequentemente, de incidência da Covid-19. O efeito dessa situação, de acordo com ele, não se restringe a quem participa de eventos que reunem multidões.

"O impacto dessas aglomerações pode acontecer não só nesses indivíduos, geralmente são jovens que participam, mas também em grupo mais vulneráveis, que têm contato com esses jovens, como os idosos, e podem ser atingidos de modo mais grave pela doença", analisa. "Então, eles assumem o risco para si e de uma dinâmica social grande. A circulação do vírus não é descolada da questão social", acrescenta.

O enterro será realizado à tarde, no cemitério Jardim da Paz, na periferia de Buenos Aires, segundo seu porta-voz Sebastián Sanchi, mas o horário não foi divulgado para não causar um tumulto maior.


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