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Mundial de Clubes abre debates um ano antes da Copa do Mundo

Europeus tocam em temas sensíveis para a Fifa organizar a competição, principalmente na questão do calendário de jogos

Pep Guardiola não conseguiu levar o Manchester City além das oitavas de final do Mundial
Pep Guardiola não conseguiu levar o Manchester City além das oitavas de final do Mundial Foto : PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP / CP

Não que seja um vespeiro, já que ninguém contesta exatamente a ‘motivação’ criada pela Fifa para o Mundial de Clubes. Ao contrário, a entidade despejou bilhões de dólares em premiação como se fosse mel para atrair, à sua maneira, os primeiros participantes do torneio.

No entanto, os acontecimentos dentro e fora de campo fogem ao controle da matriz que comanda o futebol no planeta ao seu bel prazer. E como no ano que vem a Copa do Mundo voltará aos EUA, o 'evento teste' em solo americano mostrou até o momento que alguns assuntos, principalmente sob o ponto de vista europeu, eram mantidos a uma distância prudente como quem passa por uma colmeia de abelhas sujeito à ferroadas.

A primeira insatisfação europeia é um dos pontos capazes de explicar a inversão de expectativa de que a reta final do Mundial seria uma espécie de mini Liga dos Campeões. A competição ocorre justamente no período de férias dos clubes de lá e no meio da temporada sul-americana. Ou seja, a questão física foi levada em conta. Ainda mais sob temperaturas elevadas como fazem nesta época no hemisfério norte.

"Estamos exaustos. A Copa do Mundo nos destruiu. Não sei, mas é a primeira vez na vida que isso acontece. Então veremos", disse Pep Guardiola, um dia antes do seu Manchester City ser eliminado no incrível 4 a 3 do Al-Hilal, na segunda-feira, a maior surpresa do torneio até aqui. O espanhol que enalteceu o algoz árabe e outros times, e ao longo das últimas semanas havia elogiado também o torneio, agora deve dar razão para Jürgen Klopp, ex-técnico do Liverpool.

"A pior ideia já implementada”, disse o alemão. "Acho que a gente ter que abrir mão das nossas férias por obrigação é muito complicado porque é um direito nosso", completou o brasileiro Raphinha, do Barcelona, rival do Real Madrid que despachou a Juventus por 1 a 0 e se credencia como favorito ao lado do PSG e Bayern.

Há outras questões também. Alguns comportamentos diante da primeira edição foram de encontro à história nem sempre admitida de que um título mundial tem menor valia do que a Champions. Houve quem chegasse aos EUA de mão abanando e devendo para sua torcida. E voltou para casa em igual condição, deixando para trás um envolvimento inédito e surpreendente, sugerindo ainda que a exposição a que foram submetidos incomodou. A torcida do Atlético de Madrid, goleado por 4 a 0 pelo PSG na estreia do torneio, que o diga.

"Quando o Luis Enrique precisou de ajuda na ala esquerda, o PSG gastou 70 milhões de euros em janeiro para contratar alguém", lamentou o argentino Diego Simeone, técnico do Atlético, como se comandasse Grêmio ou Inter diante do poderio de um Palmeiras ou Flamengo. Ou então de um técnico de equipe do interior diante da Dupla Gre-Nal.

A torcida do Porto recebeu a delegação sob protesto violento depois da eliminação. A perda do quarto título em uma temporada alterou os ânimos do vestiário da Inter de Milão até ontem finalista na Europa e até agora tentando entender a derrota para o Fluminense. "Quem quiser ficar conosco, que fique. Quem não quiser, que vá embora", disse aos quatro ventos o capitão Lautaro Martínez, deixando clara a tensão no vestiário da equipe.

A câmera com a visão do juiz dentro do gramado, a própria arbitragem sem grandes reclamações e o impedimento semi automático, por outro lado, são boas novas da Fifa para o futebol. Ainda assim, restando um ano para, aí sim o maior evento do planeta bola – a Copa do Mundo –, calendário, preço dos ingressos e relações diplomáticas do governo americano são assuntos que certamente não sairão da pauta até lá. Isso sem falar na necessidade de rever o protocolo das diretrizes climáticas. Ou então rever o visto para Enzo Maresca, técnico do Chelsea. "Pessoalmente, para mim, isso não é futebol. Já suspenderam sete, oito, nove partidas aqui. Acho que é uma piada, sinceramente”, disse o italiano.

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