Ao longo da competição, o Correio do Povo mostrará alguns dos personagens que já fazem parte da história do evento, começando o romeno Dumitru Radu, que prestes a completar 87 anos disputará medalhas no cross country, 5 e 10 quilômetros, e a de Alceu Moojen Chaves, que conquistou nada menos que três títulos da São Silvestre ao longo de seus 79 anos.
A nova guerra de Radu
Radu chegou à cidade há uma semana. Nos primeiros dias, tentou descolar-se dos locais de treinos até seu hotel, no Centro Histórico, próximo da rodoviária, a pé. Desistiu após perder-se mais de uma vez. Em uma delas, foi recolhido pela Polícia e chamou a atenção das autoridades, que não compreenderam seu idioma. Ele fala romeno, mas entende e fala um pouco de alemão. “Agora, só ando de táxi. Mas é estranho, pois uma viagem custa oito e a outra 80”, reclama Radu, que, sorrindo, explica: “Os taxistas acham que sou louco. Mas eu vejo que eles passam na frente do hotel e não me deixam. Já fiz vários tours pela cidade”.
Mas e o atletismo? Radu conta que foi professor de natação durante boa parte da vida. Ele mora em Piatra Neam, cidade da região da Moldávia. Com o ofício, criou dois filhos, ambos engenheiros, que trabalham na Polônia. Com a aposentaria, passou a dedicar-se às corridas, um passatempo que tem há 40 anos. E a competir em competições masters ao redor do mundo. Já visitou vários países da Europa e também os Estados Unidos. Em praticamente todas as competições, conquista medalhas. “Não trabalho mais. Agora, gosto de dormir e de treinar. E de participar destas competições”, resume.
Ele estreia no Mundial Master nesta quarta-feira, a partir das 7h, na prova de cross country, que será disputada no Parque Marinha do Brasil. Depois, ele tentará medalhas — com boas chances de sucesso — nas disputas de 5 e 10 mil metros. A volta para a Romênia está programada para o dia 29 de outubro. Até lá, fará novos amigos em Porto Alegre. Na Sogipa, onde concedeu esta entrevista e tem treinado, conheceu Arataca, o treinador da equipe de atletismo do clube: “Ele me convidou para visitar a Romênia e disse que a cerveja é por conta dele. Estou pensando...”, ri.
Conquistas comprovadas
A história de Alceu no esporte não é nova: são 65 anos competindo, e uma coleção de 2 mil medalhas. Uma carreira que começou por acaso. “Sempre fui baixinho, então nunca tinha espaço para mim no time de futebol. Até que um dia fizeram uma rústica. Mesmo de pé no chão, ganhei. Aí vi que meu esporte era esse”, recorda o atleta.
Boa parte do sucesso nas pistas, diz ele, está nos treinamentos e em uma dieta bastante definida. “De manhã como granola; de tarde, um mamão; e depois, de noite, não janto, faço apenas um lanche. O almoço, sim, eu como bem, tem que ter bastante verduras e legumes. E, claro, carne e feijão”, ensina.
Apesar de todo o preparo, Alceu não vai competir no Mundial. Em agosto, durante o treinamento em São Sebastião do Caí, foi olhar o relógio, perdeu o equilíbrio e caiu. Achou que não era nada demais e foi participar de uma competição em Porto Alegre. Durante a prova sentiu-se mal e caiu novamente. Levado pelo filho ao hospital, foi constatado um derrame. Impedido de treinar como queria, achou melhor abrir mão da disputa: “Se for para fazer fiasco, eu não vou”. Enquanto isso, espera estar liberado o quanto antes para retomar a rotina das disputas. De preferência, com outra São Silvestre no currículo.
Provas desta quarta-feira
8 quilômetros cross country: Parque Marinha do Brasil, entre 7h e 16h
Decatlo: Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete), entre 8h e 11h45min
Decatlo: Sogipa, entre 8h e 11h50min
Heptatlo: PUCRS, entre 9h e 12h30min
Por Carlos Corrêa e Fabrício Falkowski / Correio do Povo