Em julho de 2012, quase cinco anos após sair do São Paulo por 19 milhões de dólares para o Bayern de Munique, o zagueiro Breno foi condenado a três anos e nove meses de prisão por incendiar a própria casa na Alemanha. Hoje, perto de conseguir a liberação para voltar ao Brasil e ao Tricolor, ele vê seu mentor Muricy Ramalho lhe estender a mão, mesmo após os erros cometidos no início da carreira.
“Ele não ouviu o cara certo. Eu não tinha nenhum interesse, só o bem dele. Era muito garoto e a gente sabe como é. A maioria das pessoas que cuidam dos jovens só quer o dinheiro dos caras. Era um perigo, e aí deu no que deu. Eles não sabem escolher a quem ouvir. Prometem muita coisa, e eu só cobro, falo a verdade, os problemas que vão enfrentar. Muita gente no futebol está interessada só nas coisas materiais e os meninos entram nessa, por isso muitos acabam com problemas”, lamentou Muricy
A tendência é que Breno consiga voltar ao Brasil em dezembro, mas o retorno depende da Justiça alemã. O fato de ter um contrato assinado com o São Paulo até outubro de 2015 pode ajudar o zagueiro a voltar ao País, mas a rotina de atleta ainda deve demorar para ser retomada. Muricy, no entanto, assegura que o Tricolor terá toda paciência com uma de suas maiores revelações dos últimos tempos.
“É um caso especial, que temos que tomar cuidado. Parou totalmente de ser atleta e não pode voltar assim rapidamente. Temos que incluí-lo pouco a pouco no meio do futebol, com pessoas auxiliando. O clube fez um gesto grande, não abandona seus jogadores. Não vou colocar metas. Conheço bem e sei que não pode ter pressa. Fisicamente, está totalmente fora, sem noção de time, de campo. Tem que ter paciência, sem estipular data, sem nada. Tem que trazer e ir recuperando”, ressaltou.
Muricy fala com a propriedade de quem poderia ter sofrido com problemas semelhantes ao de Breno quando mais jovem. O técnico que hoje cobra muito de seus jogadores mais novos, foi um garoto-problema no início da carreira de atleta, mas seguiu pelo caminho mais correto graças aos conselhos de José Poy, ex-goleiro e treinador argentino do São Paulo. “Eu escutei o Poy e dou graças a Deus, porque sempre me orientou para guardar dinheiro, não ir nas baladas. Apesar de eu ir, mas jogava para caramba . Achava a coisa pior do mundo aquele gringo pegando no meu pé, mas foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Não cuidaram do Breno, só quiseram se aproveitar dele. Vamos trazer de volta e cuidar de novo. Agora vamos ver se ouve “, alertou.
Muricy diz que São Paulo terá paciência com Breno
Zagueiro tem contrato assinado com clube até outubro de 2015