Para tanto, o time não precisou pisar o tapete verde da Câmara, caminho diário de todos os deputados que vão para o trabalho legislativo. Os cinco craques do Santos que apareceram na sessão de homenagem tiveram à sua disposição o tapete vermelho, um privilégio dado aos chefes de Estado e de governo que visitam o Congresso em suas passagens por Brasília.
Neymar, Ganso, Rafael, Edu Dracena e Arouca, os cinco jogadores que representaram o time atual do Santos, levaram ao delírio cerca de 600 pessoas que foram à Câmara ver a homenagem ao centenário da equipe. Havia no meio dessa torcida centenas de garotos com o cabelo cortado ao estilo moicano, o modelo adotado por Neymar. Havia também carecas com perucas "moicanas". E havia também deputados torcedores do Santos com seus ternos e gravatas sóbrios. Mas quase todos "babando" pelos ídolos. Pelé deveria ter ido à homenagem, mas não conseguiu viajar.
Foi um momento de grande confraternização. O ex-atacante Pepe, ídolo do clube, arrancou aplausos, embora a grande maioria dos garotos presentes soubesse quem ele é, a não ser pelos documentários dos anos 50 e 60. Até os cartolas receberam aplausos. O presidente do Santos, Luís Alvaro de Oliveira Ribeiro, lembrou que o time tem uma torcida de 13 milhões de pessoas em todo o País. E que, em sua opinião, a decisão de manter no Brasil os jogadores Neymar e Ganso foi a mais acertada. "O Brasil não é mais só exportador de mão de obra", disse ele.
Poucos, no entanto, ouviram o presidente do Santos, assim como foram muito poucos os que ouviram os discursos dos deputados para enaltecer o time, fossem ou não santistas. O público queria era um autógrafo de Neymar. Enquanto os oradores gastavam o tempo, camisetas do Santos eram atiradas no rumo do craque. De tanto dar autógrafos, ele não conseguiu escutar o que diziam os políticos e os cartolas.
Mas isso não importava. O ídolo agiu naturalmente até quando o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse que ele será o maior jogador de futebol de todos os tempos, capaz de superar Pelé. E que, de passagem pela Espanha, quando foi perguntado sobre o que acha de Messi, do Barcelona, ele respondeu: "O maior jogador da atualidade é Neymar, do Santos".
Indagado pelos repórteres se daqui a 20 anos poderá se candidatar a uma vaga no Congresso, como aconteceu com outros jogadores - casos de Romário (PSB-RJ), Danrley (PSD-RS) e Deley (PSC-RJ) - Neymar respondeu: "Até lá ainda há muito tempo". Foi o pouco que falou. Espremido pelos torcedores, protegido por seguranças, esgueirou-se por entre uns e outros, enquanto distribuía sorrisos e levava meninos e meninas ao delírio.
A tietagem foi geral. Dela não escapou Marco Maia, que se disse gremista, mas também um admirador do Santos, e que chegou a dar umas cabeceadas numa bola. Santista, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, foi à Câmara paparicar os jogadores e, em especial, Neymar. Ao sair, sorria de satisfação. Comentou que o goleiro Rafael é menor do que ele pensava. "Quando a gente vê na televisão, acha que ele é grande. E não é". Depois, a contragosto, foi chamado a falar sobre o escândalo do Mensalão.