Esportes

O Campeonato Brasileiro é o pano de fundo do clássico Gre-Nal

Classificação e eliminação na Copa do Brasil, hoje à noite, na Arena, devem trazer consequências para os rumos dos trabalhos de Paulo Pezzolano e Luís Castro

Pezzolano e Castro irão para o sexto Gre-Nal da temporada
Pezzolano e Castro irão para o sexto Gre-Nal da temporada Foto : Fabiano do Amaral


Neste caso, pode ser dentro ou mesmo fora de uma determinada bolha de convívio que a sensação será parecida. A situação de Grêmio e Inter no Campeonato Brasileiro dividiu a atenção com os clássicos da Copa do Brasil. A corneta parece estar escondida, a vacina ganhou braços azuis e vermelhos e a preocupação bifurcada vai do torcedor aos treinadores.

Paulo Pezzolano deixou Bruno Henrique e Alan Patrick no banco de reservas no jogo de ida no Beira-Rio. Iniciou com ambos contra o Bahia, mas repetiu a dose com Villagra e Carbonero, de fora. Luís Castro lançou mão de Kannemann no primeiro clássico mesmo quando Gustavo Martins havia voltado, mas recolocou o jovem na zaga diante da Chapecoense quando Carlos Vinícius foi o sacado.

Tanto o técnico uruguaio quanto o português, pelo menos até a noite de hoje, vinham tentando se equilibrar nos últimos dias com um pé em cada canoa. Embora seja histórico por ser somente a segunda vez em que as equipes se encontram em quase 40 décadas do torneio, o Gre-Nal da Arena não vale só pela Copa do Brasil. Vale, claro, pela invencibilidade colorada em confrontos de mata-mata com o rival ou justamente a quebra desse tabu pelo lado tricolor, mas também por algo que perpassa o duelo: Brasileirão.

É ele o pano de fundo para o confronto. E a depender do que acontecer, a dura caminhada para escapar do rebaixamento pode ter mudança de rumo em um dos lados. A história do Gre-Nal, a realidade fria da tabela de classificação e certamente o impacto ainda maior do lado derrotado, tudo isso aumentará a pressão nos dirigentes eliminados.

"Acredito que o ciclo do Castro já chegou ao fim. Estamos em setembro e o time não consegue apresentar nada para o torcedor. Vai ser preciso mudar para evitar um novo rebaixamento e, neste caso, a eliminação poderia acelerar o processo. A paixão e a vontade de deixar o maior rival para trás tendem a prevalecer. É claro que questões anímicas e financeiras são importantes para uma retomada no ano. E isso está no combo da classificação", diz Felipe Bueno, apresentador da Record Guaíba.

Conforme o Departamento de Matemática da UFMG, as chances do Grêmio cair para a segunda divisão hoje são 22.6% contra 59.2% do Inter. No ano passado na mesma 25ª rodada, o time então de Ramón Díaz era o 16º colocado com 28 pontos, três a mais do que o de Pezzolano. Do outro lado, a equipe de Mano Menezes (com um jogo a mais do que a de Luís Castro) tinha 32 pontos em 11º lugar, bem acima da atual 15ª posição.

"É o Gre-Nal que ninguém queria, mas, como o Gre-Nal se apresentou, o melhor cenário sempre é vencer. É verdade que, caso avance, vão se abrir outras datas para o Inter na Copa do Brasil, portanto não haverá um foco total no Brasileiro, mas uma vitória deste quilate pode ter repercussão positiva também na competição nacional. Além disso, é uma injeção anímica que o Inter prcisa neste momento, inclusive em termos institucionais", opina Douglas Ceconello, do Blog Meia Encarnada no GE.

No mesmo recorte das tabelas de 2025 e 2026, há uma diferença muito mais relevante do que a inversão dos dois primeiros colocados Flamengo e Palmeiras de um ano para o outro. É na ponta de baixo que a preocupação gaúcha bate à porta.

No ano passado, seis pontos separavam o Inter do Z-4. Juventude, Fortaleza e Vitória tinham 22 pontos, sem contar o Sport, virtual rebaixado. Destes, apenas os baianos escaparam ao final da competição. Atualmente, além do Inter, o Vasco, 17º e o Mirassol, com a cabeça para fora d'agua, têm também 25. Ainda que a pontuação seja maior, a distância até para o Remo, vice lanterna é de só uma rodada, o que não é o caso da Chapecoense, praticamente condenada.

Veja Também