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Oito meses após ser mãe, judoca gaúcha conquista título nacional

Aos 24 anos, Milena Mendes retomou carreira e agora disputará vaga na seleção brasileira

Milena (centro) conquistou título oito meses após ser mãe
Milena (centro) conquistou título oito meses após ser mãe Foto : Arquivo pessoal / Divulgação / CP
Já imaginou sua mãe lutando no tatame e ganhando uma medalha de ouro logo após você ter nascido? Bella, que hoje tem apenas oito meses, vai poder contar no futuro da façanha que sua mãe, Milena Mendes, 24 anos, realizou. A judoca da Sogipa foi campeã da categoria meio-leve no último sábado no Troféu Brasil Interclubes, na Bahia, quando era apenas a sua segunda competição depois de ter dado à luz há exatos oito meses.

A gravidez da atleta, então com 22 anos, foi inesperada, mas não a ponto de fazê-la desistir da carreira esportiva. “Foi uma surpresa. Eu esperava ser mãe quando fosse mais velha, mas aconteceu tudo muito rápido. Logo quando me casei, eu já engravidei, mas nunca pensei em parar. A minha vida só continuou”, recordou Milena, que é casada há um ano e meio com preparador físico da Sogipa, Wagner Zaccani, parceiro tanto na academia quanto nos cuidados com a pequena Bella, que é companheira até mesmo na hora dos treinos. “Ela fica em cima do tatame e o pessoal fica brincando com ela. Todo mundo ajuda um pouquinho. Ela é bem tranquila e fica lá 'conversando'”, contou.

Quando não está treinando, Milena também dedica um tempo para os estudos na faculdade de Educação Física na Sogipa. Ela detalhou que sua rotina, apesar de cansativa e puxada, foi uma escolha na sua vida e que não tem do que reclamar. “No dia a dia, eu nem sinto que é tanta coisa. As pessoas olham e dizem 'nossa, é tanta coisa, vai na faculdade, tem que cuidar da neném', mas eu não vejo desta forma. As coisas que faço são coisas prazerosas: ser mãe, ser atleta e estudar também é um prazer”, disse. “Tenho uma família que amo muito, então não tem nada que eu leve como uma cruz. Cansa, mas são escolhas que eu fiz e são prazerosas de se fazer.”

Mesmo grávida, Milena continuou os treinos até quando foi possível: “Eu fiz exercícios até os seis meses de gravidez, depois eu parei porque já não tinha mais graça nos exercícios que estava fazendo”, brincou. “Então eu preferi parar e aproveitar enquanto não precisava fazer nada e iria descansar, porque na hora que realmente voltasse aos treinos, eu teria mais vontade”, enfatizou.

Volta aos treinos, queda e título


Após o nascimento de Bella, a folga dos tatames foi breve. Apenas poucas semanas depois do parto, ela já estava de volta aos combates e disposta a recuperar o espaço perdido. Dias depois de assistir a colega de clube Mayra Aguiar conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio, ela disputou a Copa Gramado, na qual garantiu lugar na Seleção Gaúcha que disputaria o Brasileirão sênior em setembro, no município baiano de Lauro de Freitas.

No Campeonato Brasileiro, a sua primeira competição em nível nacional depois da maternidade, o resultado não veio. “Eu perdi na primeira luta no Brasileiro e fiquei muito magoada, porque eu esperava mais. Estava me sentindo muito bem, para ter um resultado tão negativo. Eu fiquei extremamente decepcionada”, afirmou.

Mas a chance de recuperação não demorou a aparecer e no dia 8 de outubro lá estava ela na Bahia novamente para a disputa do Troféu Brasil. Foi, viu e venceu, conquistando a única medalha de ouro do judô gaúcho no evento: “No Troféu, eu não tinha nada a perder. Só a ganhar. Então fui bem tranquila e relaxada, e aí as coisas foram acontecendo. Era a última competição para conseguir uma vaga na seletiva olímpica, então pensei que tudo que fizesse era lucro e foi um bom lucro”, orgulhou-se.

Como campeã do Troféu Brasil, ela não apenas ganhou a medalha de ouro – a primeira em torneios com atletas de fora do Rio Grande do Sul desde o nascimento de Bella – como assegurou um lugar na seletiva que definirá os integrantes da Seleção Brasileira em 2017. Os judocas da Seleção disputam competições internacionais, que geram pontos no ranking internacional, o principal critério para a convocação tanto para Campeonatos Mundiais quanto para os Jogos Olímpicos.

Foco agora é na busca pela vaga na seleção

Mas mal deu tempo para curtir a vitória. Já na semana seguinte à conquista, recomeçaram os treinos, agora voltados para a seletiva. Se tudo der certo, 2017 será um ano marcado por viagens e dias longe de Bella. Apesar da saudade antecipada, é uma meta: “É para o bem dela e para dar uma vida melhor pra ela. Então não tem peso nenhum nas minhas costas, é o meu trabalho. Toda mãe sai de casa todo dia para trabalhar. Eu sei que ela está bem cuidada com o pai ou com a avó, então eu fico bem tranquila”, confortou-se.

Como citou anteriormente, a vida continua e Bella precisa de mais histórias para contar quando crescer: “Dá saudade, mas nada que uma medalha não recompense”.