O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, considera que o êxito da Copa deve contribuir para amenizar os temores sobre a organização dos Jogos. "A desconfiança que enfrentamos há dois meses já não existirá mais", disse Paes na semana passada em entrevista a jornalistas estrangeiros. "Ainda temos muito trabalho pela frente, mas confiamos na nossa capacidade de entregar tudo à tempo", garantiu.
A principal dor de cabeça é o Parque Olímpico de Deodoro, que receberá sete modalidades, entre elas ciclismo, tiro esportivo, esgrima, hipismo e hóquei sobre grama. As obras, que deveriam ter começado no ano passado, só foram iniciadas no dia 3 de julho.
Três instalações herdadas dos Jogos Pan-Americanos de 2007 precisam ser renovadas e outras precisam ser erguidas do zero. A entrega está prevista para o primeiro semestre de 2016, prazo que não dá nenhuma margem de segurança aos organizadores.
Pouca flexibilidade
O principal Parque Olímpico será localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, perto do antigo autódromo. O local, que receberá 15 modalidades, parece hoje um grande terreno baldio. Greves e atrasos afetaram o começo das obras e a construção do velódromo foi iniciada apenas em fevereiro. No imenso terreno que beira a lagoa de Jacarepaguá, aparecem apenas alguns blocos de concreto.
As únicas instalações que já estão de pé são a Arena da Barra, que receberá a ginástica e o trampolim, e o Parque Aquático Maria Lenk, ambos inaugurados em 2007. O Parque Aquático sequer receberá provas de natação, que serão realizadas numa instalação provisória ao lado, e deve se contentar apenas os saltos ornamentais e o polo aquático. A poucos quilômetros de lá, o polêmico campo de golfe, localizado no meio de uma reserva ecológica que beira a praia do Recreio, ainda está na sua fase inicial de construção. A entrega está prevista para meados de 2015.
Apesar de todos esses atrasos, o general Fernando Azevedo e Silva, nomeado pela presidente Dilma Rousseff para chefiar a Autoridade Pública Olímpica que coordena as obras, mostrou-se "muito otimista". "Não temos atrasos confirmados, mas tampouco temos flexibilidade (em termos de tempo), principalmente para Deodoro", admitiu o dirigente.
Na zona norte da cidade, enquanto o Maracanã mostrou na Copa que está totalmente operacional, o Engenhão, que receberá o atletismo, modalidade de maior prestígio nos Jogos, continua fechado por conta de problemas na cobertura. Outra preocupação é a poluição da baia de Guanabara, onde serão disputadas competições de vela e windsurf. "Vai ficar limpa, não existe risco para os atletas", prometeu Paes, que reconheceu apenas "alguns problemas", porém "muito longe do espaço olímpico".