Brasil vive dia histórico com bronze de Mayra no judô e prata de Rebeca na ginástica em Tóquio

Brasil vive dia histórico com bronze de Mayra no judô e prata de Rebeca na ginástica em Tóquio

Judoca da Sogipa se consolidou como primeira brasileira a subir três vezes ao pódio em esportes individuais; Ginasta Rebeca Andrade conquistou a primeira medalha da ginástica artística feminina

Vítor Figueiró

Mais um bronze para Mayra Aguiar

publicidade

O dia de competições desta quinta-feira entrou para a história do Brasil na disputa dos Jogos Olímpicos. A judoca gaúcha Mayra Aguiar conquistou a medalha de bronze e se tornou a primeira brasileira a subir três vezes ao pódio em esportes individuais. Ela repetiu seu desempenho em Londres 2012 e na Rio 2016 e garantiu uma nova conquista ao esporte do país. No final do dia no Japão, uma nova emoção estava reservada. A ginasta brasileira Rebeca Andrade também cravou seu nome na história esportiva brasileira. Numa apresentação extraordinária na prova do individual geral, lutando até o fim pelo o ouro, a atleta venceu a medalha de prata e se tornou a primeira mulher do país a chegar no pódio da modalidade em uma Olimpíada.

As conquistas da atleta da Sogipa e de Rebeca colocam o Brasil na 17ª colocação, com um ouro, três pratas e três bronzes - um deles, com o judoca Daniel Cargnin na categoria até 66 kg, também do Rio Grande do Sul e atleta do clube.

Os ineditismos não pararam por aí. Na canoagem slalom, outro feito. Ana Sátila levou as cores verde e amarela pela primeira vez a uma decisão da modalidade. Na final, ficou na 10° posição, mas já havia registrado sua marca no esporte nacional. 

Rebeca espetacular 

Ao som do funk Baile de Favela, Rebeca Andrade conquistou o prata para o Brasil na disputa do individual geral da ginástica artística dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. 

Após se apresentar nos quatro aparelhos (salto, barras assimétricas, trave de equilíbrio e solo), a brasileira somou a nota de 57.298. Desde o começo da prova, ela esteve entre as três primeiras e chegou a liderar.

No fim, o ouro ficou com a norte-americana Sunina Lee (57.433) e o bronze foi para a ginasta russa Angelina Melnikova (57.199).

Medalha histórica de Mayra em Tóquio

Após um ciclo olímpico que começou com o título mundial em 2017, mas terminou atrapalhado por uma grave lesão no joelho no final de 2020 e a incerteza da recuperação a tempo, Mayra conseguiu repetir sua doce rotina em Olimpíadas: ir ao pódio.

Chegando em Tóquio com somente duas lutas após seu retorno, a judoca gaúcha foi capaz de se reerguer depois de uma derrota em uma luta equilibrada nas quartas de final para a atual campeã mundial em 2021, a alemã Anna-Maria Wagner. Antes, Mayra venceu a israelense Inbar Lanir, rapidamente com um ippon no começo do torneio olímpico. 

Na repescagem, Mayra conseguiu provocar três punições para a adversária russa Aleksandra Babintseva e chegou até a disputa pelo bronze com a sul-coreana Yoon Hyunji. No duelo valendo a medalha, a judoca da Sogipa estava destinada a vencer. Sem dar muitas chances, ela imobilizou a adversária e controlou o tempo até o ippon ser apontado. Quando 20s passaram, Mayra se levantou emocionada ciente do feito incrível que alcançou. Além de ser a primeira brasileira com três medalhas individuais, a judoca também se consolidou como a única na modalidade a conquistar medalha em três Jogos Olímpicos consecutivos

O sucesso da gaúcha não se repetiu no judô masculino, onde Rafael Buzacarini  foi eliminado na primeira luta. Ele perdeu para o belga Toma Nikiforov, um duelo complicado e decidido no detalhe.

Resultado inédito no Slalom e no remo

Ana Sátila marcou seu nome na história do esporte brasileiro ao levar o país para a final da canoagem slalom em Tóquio 2020. Na semifinal, ela fez o percurso em 114.27 segundos e foi a terceira melhor. Na decisão, ela, apesar de ter feito um bom tempo, cometeu duas irregularidades, que adicionaram 54 segundos à sua prova, a deixando bem longe das primeiras colocadas na 10ª colocação. 

Outro desempenho também significativo veio no ciclismo BMX, com Renato Rezende, onde o Brasil atingiu pela primeira vez a semifinal. No remo, Lucas Verthein também teve o melhor resultado do país e disputará a decisão do sétimo lugar do single skiff.

Recorde de Cielo segue mantido

A natação teve participação do Brasil em apenas uma das finais da manhã. Nos 800 metros livres, Guilherme Costa ficou em oitavo na final. O ouro ficou com o norte-americano Robert Finke, seguido do italiano Gregorio Paltrinieri e do ucraniano Mykhailo Romanchuk. 

Se o Brasil atingiu novos feitos históricos nesta quinta em Tóquio, também manteve um antigo. Caeleb Dressel dos EUA levou ouro e recorde olímpico nos 100m livre, mas o recorde mundial do brasileiro César Cielo se manteve com 46,91

A grande prova, porém, foi o revezamento 4x200m feminino. Uma batalha tripla teve China, EUA e Austrália nadando abaixo do recorde mundial e a surpresa. As chinesas conseguiram segurar uma arrancada monstruosa da norte-americana Kate Ledecky para levarem o ouro.

Primeira derrota no handebol e no Rugby

A seleção feminina de handebol perdeu o primeiro jogo nos Jogos Olímpicos de Tóquio depois de um empate e uma vitória. Após um bom primeiro tempo, o Brasil parou diante da goleira da Espanha e acabou derrotado por 27 a 23.

No Rugby, o Brasil foi superado nas duas primeiras rodadas da competição. Na estreia, derrota por 33 a 0 para a seleção canadense. Na segunda partida, nova goleada. Desta vez, as Iaras perderam para a seleção da França por 40 a 5.

Mais um representante nas oitavas do boxe

Em uma luta bem equilibrada, o boxeador brasileiro Hebert Conceição se classificou para as quartas de final da categoria médios (até 75kg) dos Jogos Olímpicos de Tóquio ao derrotar chinês Erbieke Tuoheta em três rounds, em decisão dos árbitros. Agora o brasileiro de 23 anos vai lutar por uma vaga na disputa por medalha contra Abilkhan Amankul, do Cazaquistão.

No boxe feminino, os árbitros deram vitória unânime para a japonesa Tsukimi Namiki contra Graziele de Jesus.

No tiro com arco feminino, a brasileira Ane Marcelle Santos venceu a mexicana Ana Vázquez e avançou às oitavas de final do torneio olímpico. No entanto, ela parou nas oitavas superada pela a sul-coreana An San, uma das cabeça de chave do torneio.  

No primeiro set, as duas arqueiras fizeram 27 pontos. Já no segundo, An San, que bateu o recorde olímpico na fase eliminatória, fez 27 a 24 e chegou a 3 a 1 no placar. No terceiro set, a sul-coreana mostrou por que é candidata ao ouro ao acertar as três flechas no centro do alvo e vencer por 30 a 27. No quarto set, An San fez 28 a 25 e fechou o combate em 7 a 1.

Vaga na medal race da classe RS:X na vela

Na vela, Robert Scheidt terminou a 8ª regata na 12ª colocação e cai uma posição, indo para quarto no geral. As últimas duas regatas da classe serão disputadas na madrugada de quinta para sexta-feira, com grandes chances do bicampeão olímpico figurar na disputa de medalha da classe Laser.

Patricia Freitas terminou a 12ª regata da classe RS:X na 12ª colocação, o que foi o suficiente para ela terminar em 10º no geral, ficando com a última vaga na a medal race, que será disputada na madrugada de sexta-feira para sabado, às 2h30min. 

Tenistas perdem na semi, mas lutam pelo bronze

A campanha surpreendente da dupla Laura Pigossi e Luisa Stefani teve um desvio em Tóquio. Na manhã desta quinta-feira, as tenistas brasileiras tiveram um começo avassalador, mas acabaram superadas pelas mais experientes Belinda Bencic e Viktorija Golubic, da Suiça, por dois sets a zero com parciais de 7/5 e 6/3. Bencic, inclusive, vive grande fase e está na final de simples e de duplas.

Agora, Pigossi e Stefani lutam pela medalha de bronze contra Kudermetova e Vesnina do Comitê Olímpico Russo e podem atingir o melhor resultado da história do tênis brasileiro na competição. Até aqui, elas já igualaram o quarto lugar de Fernando Meligeni no individual masculino em Atlanta-1996.

Veja Também


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895