Sete anos atrás, quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede dos Jogos Olímpicos 2016, a situação do Brasil era outra. A euforia com o crescimento econômico fazia grande parte do povo acreditar que o país poderia — e deveria — sediar grandes eventos, como demonstrou a quantidade de pessoas comemorando, diante dos telões na praia de Copacabana, a histórica decisão do COI.
De lá para cá, muita coisa mudou. A empolgação com a Olimpíada não é a mesma, especialmente devido à forma como foi conduzida a preparação. De qualquer maneira, as instalações estão prontas, os atletas chegaram, e as competições até já começaram. A partir das 20h de hoje, quando começar a cerimônia de abertura, os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil. Resta torcer para que a primeira Olimpíada realizada no continente sul-americano não seja motivo de vergonha dentro e fora das arenas.
Neste contexto, o evento de hoje, no estádio Maracanã, terá um orçamento mais baixo que o de edições anteriores. O valor não foi divulgado separadamente. Será informado ao final dos Jogos, junto com o da cerimônia de encerramento e as duas dos Jogos Paralímpicos. A explicação do comitê é que os contratos foram firmados para todas as festas e, por isso, há apenas um orçamento.
O que os diretores e produtores revelam é que o espetáculo vai apostar em projeções, criatividade e no “espírito da gambiarra”, que fará a noite ser lembrada como uma cerimônia descolada. “Temos uma coisa de alta tecnologia, que é a projeção. Para o resto, nos viramos nos 30, mas acho que vamos entregar”, acredita o diretor criativo Andrucha Waddington, que contou ter recorrido ao centro de comércio popular do Rio para material.
Os organizadores prometem, mesm o assim, encantar o público de mais de 70 mil pessoas aguardado no estádio e os cerca de 3 bilhões de telespectadores estimados em todo o mundo. Se Pequim-2008 esbanjou e Londres-2012 surpreendeu, Rio-2016 tentará capturar a diversidade, o amor pela música e o talento para a diversão. “Queremos dar a maior festa já vista neste país”, diz a cenógrafa Daniela Thomas, que também assina a direção artística do evento. “O espírito da gambiarra é importante aqui no Brasil. Isso não é uma coisa sacrificante. Não é um ‘coitados de nós’. Gambiarra é maravilha, gambiarra é pura criação”, explica.
As atrações musicais se apresentarão sem receber cachê. Estão confirmados Caetano Veloso, Gilberto Gil, Anitta e Ludmilla, por exemplo. Maiores detalhes são segredo até a hora do show. Gisele Bündchen e a modelo transgênero Lea T darão um “toque de glamour” à festa — os organizadores esclareceram que não haverá nenhuma simulação de assalto, como foi polemizado. Gisele desfilará ao som de “Garota de Ipanema”, sã e salva.
Cerimônia com orçamento menor abre uma Olimpíada histórica
Depois de 120 anos, os Jogos chegam à América do Sul. Festa terá criatividade e "espírito de gambiarra"