A 16 dias da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, a Rússia, peso pesado do esporte mundial, ainda não sabe se viajará à Cidade Maravilhosa. Nesta quarta-feira, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se deu prazo de sete dias para chegar a uma decisão sobre um possível veto a delegação russa.
Na terça, a comissão executiva do COI anunciou que optou por esperar pela decisão do julgamento do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). A maior instância da Justiça Esportiva deverá se pronunciar nesta quinta-feira a respeito do apelo apresentado por 68 atletas russos vetados dos Jogos do Rio pela Federação Internacional de Atletismo (Iaaf).
O COI, porém, não deverá agir rapidamente. Hoje, via porta-voz da entidade, a entidade anunciou que daria seu veredicto “daqui a sete dias sobre a eventual participação” dos atletas russos, ou seja até 27 de julho, apenas nove dias antes da abertura dos Jogos.
Este tempo fez alguns céticos duvidarem da determinação real do COI em punir a Rússia. Dick Pound, membro do COI e ex-presidente da Agência Mundial Antidoping (Wada), teme que a entidade que rege os esportes olímpicos esteja “muito reticente” em excluir a Rússia.
“Para tomar uma decisão tão grave como suspender um país inteiro, é preciso ter certeza de não tropeçar em algum obstáculo jurídico. Mas eu tenho a impressão que o COI, por algum motivo que ignoro, está muito reticente em excluir a Rússia”, lamentou o dirigente canadense nesta quarta-feira à BBC, antes mesmo do COI anunciar o prazo de uma semana para chegar a uma decisão.
Itália contra exclusão
Somente o comitê italiano anunciou publicamente ser contra uma eventual ausência dos russos no Rio: “No imaginário coletivo os Jogos Olímpicos são a manifestação de todo o mundo e não consigo imaginar os Jogos sem a Rússia”, afirmou Giovanni Malago, presidente da entidade, enquanto o comitê neo-zelandês se disse contente com o fato do COI “cogitar” severa punição.
Em Moscou, o onipresente ministro dos Esportes, Vitaly Mutko, torcia na terça-feira para que “o COI e a associação de federações internacionais olímpicas de esportes tomassem uma decisão sensata”.
Os atletas russos ainda nutrem uma pequena esperança de poder participar dos Jogos do Rio-2016. No caso de Mutko, essa esperança não existe mais. As únicas pessoas vetadas oficialmente de comparecer aos Jogos são os membros do ministério russo dos Esportes, que “não receberão nenhuma credencial”.
Com isso, Mutko, o poderoso ministro que também exerce o cargo de presidente da federação russa de futebol e chefia o Comitê Organizador da Copa do Mundo-2018, e seu assistente Iuri Nagornykh, citado no relatório McLaren, são cartas fora do baralho.
O relatório acusou o governo da Rússia de manipular amostras positivas de atletas russos nos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi-2014, contando inclusive com a ajuda do FSB, o serviço secreto do país.
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