Olimpíada

COI retira luta olímpica da programação para Jogos de 2020

Esporte disputará com outros sete modalidades a última vaga para edição posterior à do Rio de Janeiro

Jogos do Rio serão os últimos com esporte garantido no programa
Jogos do Rio serão os últimos com esporte garantido no programa Foto : Yuri Cortez/AFP/CP
A comissão executiva do Comitê Olímpico Internacional (COI) surpreendeu a todos nesta terça-feira ao retirar a luta olímpica, uma dos esportes mais tradicionais da história dos Jogos, do núcleo de modalidades que integrarão o programa olímpico de 2020. Desta forma, a Federação Internacional de Luta está condenada a entrar na fila de uma briga de outros sete esportes que buscam  integrar os Jogos Olímpicos (squash, escalada, caratê, wushu, beisebol/softbol, wakeboard e patinação), para a única vaga que resta para a Olimpíada seguinte à do Rio de Janeiro.

O COI deve validar o programa dos Jogos Olímpicos de 2020 na reunião de Buenos Aires em setembro, que escolherá a cidade-sede do evento entre as três finalistas: Istambul, Madri ou Tóquio. "É apenas uma recomendação da comissão executiva. A reunião que decidirá quais esportes integrarão o programa para 2020 será posterior", afirmou o porta-voz Mark Adams. Os 26 esportes presentes nos Jogos de Londres foram revisados em função de vários critérios, como popularidade, universalidade, assim como a boa administração. Nesta análise, a luta ficou em último lugar na lista.

Em 2009, o softbol e o beisebol tiveram um destino similar quando foram retirados do programa dos Jogos de 2012, abrindo espaço para a entrada do golfe e do rúgbi no Rio de Janeiro-2016. A luta estava no programa dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, no ano 708 antes de Cristo. A luta greco-romana integrava o programa olímpico desde o início dos Jogos da era moderna em Atenas, 1896.

Foram necessárias várias votações da comissão executiva do COI para chegar a este surpreendente resultado.
Foram pouquíssimos votos de diferença entre a luta e o pentatlo moderno, modalidade da brasileira Yane Marques, medalhista de bronze nos Jogos de Londres em agosto do ano passado. "Tínhamos um excelente relatório com muitos fatos sobre os quais os membros da comissão executiva fez sua escolha", explicou o alemão Thomas Bach, vice-presidente do COI, que não ficou surpreso com a decisão final.

"Uma surpresa? Depende do sentido que se dá a esta palavra. Ouvimos falar de vários esportes. Foram três ou quatro votações para esta decisão. Percebemos que a luta sempre aparecia entre as mais votadas e no final das contas deixou de ser uma surpresa", completou o dirigente, considerado um dos favoritos para assumir a presidência do COI no lugar do belga Jacques Rogge em setembro.

A decisão causou a consternação na Federação Internacional de Luta (FILA). "Ficamos estupefatos e tomaremos todas as medidas necessárias para convencer a comissão de que esta decisão não faz sentido", reagiu a federação num comunicado. "A luta é um dos esportes fundadores dos Jogos Olímpicos da Antiguidade assim como dos modernos e está implantada em 180 países. Em muitos destes, países, trata-se do esporte nacional, oferecendo uma oportunidade única de serem representados por atletas, contribuindo para a universalidade do movimento olímpico", completou a FILA.



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