Eliminada precocemente no torneio de judô feminino dos Jogos Olímpicos de Paris, a gaúcha Mayra Aguiar colocou em dúvida a sua presença no próximo ciclo do evento, que ocorrerá em Los Angeles 2028.
“Eu amo esse esporte. Eu amo treinar, amo esse clima, essa força que os atletas têm, essa alegria que é um treino. É isso que me fortalece, é isso que me faz treinar com dor. Essa motivação, essa superação, essa união que o esporte tem. Eu ainda não sei o que vou fazer. Vou voltar pra casa, esfriar a cabeça, entender como está meu corpo e pensar no que fazer”, explicou a judoca.
Nesta quinta-feira, Mayra foi superada pela italiana Alice Bellandi na categoria até 78kg. A judoca brasileira perdeu de waza-ari no golden score.
Mayra comentou que tem convivido com dores e lesões nos últimos tempos. “Eu não gosto de perder nem de brincadeira, imagine em uma competição em que a gente se doa demais. Doa saúde, doa tempo com a família, assume uma dieta restrita, treina todo dia com dor. Então esse é o preço que estou pagando há algum tempo, brigando com dores e lesões. Quando acaba desta forma é muito ruim. Mas eu sei também que todas as vezes que doeu muito como agora eu sempre me levante muito forte. Quanto mais dói mais a gente se fortalece. Estou me apegando a isso agora. O atleta aprende a se renovar muito rápido tanto na vitória quanto na derrota. Hoje eu vou sofrer e vou berrar, mas amanhã eu já estarei de pé”, disse ela, que já passou por oito cirurgias.
Depois de três ciclos vitoriosos e de colocar o nome na história do esporte mundial, Mayra se reencontrou com adolescente que chegou aos Jogos Olímpicos Pequim, em 2008, e voltou pra casa sem uma medalha. Ela deve ser poupada da disputa por equipes.
"Eu só quero agradecer àquela criança por ter continuado lutando, por ter continuado nesse ambiente. Vivi momentos incríveis mesmo. Quero agradecer e falar pra ela, continua guria. Por mais que doa, por mais que você queira queimar os quimonos, vai valer a pena. As experiências, os momentos, as pessoas. Tudo vai ser muito mágico quando você olhar pra trás. Continua firme, eu diria pra ela", ensinou a judoca.
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