Olimpíada

Ministro aponta falta de transparência e atrasos nas obras da Rio-2016

Ministro Augusto Nardes promete empenho na fiscalização<br />

Ministro aponta falta de transparência e atrasos nas obras da Rio-2016
Ministro aponta falta de transparência e atrasos nas obras da Rio-2016 Foto : Elza Fiuza / Agência Brasil / CP
Encarregado de acompanhar e fiscalizar todos processos em relação aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, que tramitam no TCU (Tribunal de Contas da União), do qual foi presidente entre os anos de 2013 e 2014, o ministro Augusto Nardes afirma que tem faltado transparências nas contas das obras do evento. Restando menos de 500 dias da abertura dos Jogos, ele demonstrou preocupação em relação aos atrasos que poderão comprometer a qualidade do evento.

"De forma geral, foram constatados atrasos no início das construções e adaptações de arenas e instalações esportivas. Mesmo diante desses atrasos, especialmente nas licitações e no início efetivo das obras, existe hoje a previsão de que tudo esteja concluído antes do início dos Jogos. Contudo, essa previsão está bem justa, ou seja, imprevistos representam um risco importante. Creio que são os problemas de planejamento e de projeto das obras, os quais já causaram atrasos. Tudo isso que deixou os executores sem muita margem para novos adiamentos. Ou seja, não temos margem para imprevistos. Além disso, o Tribunal tem identificado que a coordenação das ações para a realização dos Jogos precisa ser reforçada. Já fizemos determinações nesse sentido à APO (Autoridade Pública Olímpica)", disse Augusto Nardes, prometendo empenho nas fiscalizações:

"Existe uma preocupação geral com os cronogramas das obras, cujos prazos estão bastante justos. Existe previsão de conclusão de algumas obras em 2015, ou seja, dentro do prazo para a realização de eventos-teste, e outras, para depois desses eventos. Existe ainda a previsão de conclusão de algumas instalações em datas bastante próximas ao início dos jogos, especialmente no caso dos overlays (estruturas temporárias instaladas no entorno das arenas), que serão desmontadas após os Jogos. O TCU vai intensificar o acompanhamento das obras em 2015".

Em relação à transparência do Comitê Rio-2016, Augusto Nardes afirmou que é preciso melhorias neste sentido.

"Quanto à questão da transparência, eu diria que o Comitê Rio-2016 precisa aperfeiçoá-la bastante. O TCU está acompanhando essa questão, especialmente em função da possibilidade de a União vir a arcar com déficits operacionais do Comitê Rio-2016. Essa cobertura do possível resultado deficitário do comitê é algo que me preocupa. O TCU já fez recomendações à Casa Civil da Presidência da República para que sejam definidas diversas questões referentes a esse eventual déficit. Não deixaremos que a sociedade brasileira desconheça o quanto foi gasto para viabilizar a realização dos Jogos Olímpicos. "

Assim como na Copa do Mundo de 2014, uma das preocupações dos críticos da Olimpíada no Rio são as obras consideradas irrelevantes para a cidade em seu dia a dia. Nardes também demonstra certa preocupação com os "elefantes brancos", que são obras que não terão utilidade depois dos Jogos.

"De fato, ainda há certa indefinição acerca do uso de arenas e instalações após os Jogos. O TCU tem tratado do assunto dentro dos exames da estrutura de governança dos Jogos. Já fez determinações ao Ministério do Esporte para que seja feito um planejamento específico e seja dada maior transparência quanto ao legado, com a identificação do ente (público ou privado) que ficará responsável por cada empreendimento, os custos previstos de manutenção, a finalidade de utilização após as competições e os benefícios esperados", afirmou.